Comissário europe salientou a necessidade de acelerar a preparação da defesa europeia, observando que as circunstâncias não deixam margem para atrasos
A Europa está a enfrentar um ambiente de segurança multifacetado e em rápida mudança, com o comissário europeu para a Defesa e Espaço, Andrews Kubilius, a alertar para o facto de a União Europeia (UE) ter de acelerar significativamente a sua prontidão de defesa para enfrentar os desafios crescentes. Em entrevista à Euronews, à margem da Conferência DEFEA, em Atenas, o responsável europeu descreveu um cenário internacional que, segundo ele, está a evoluir com "mudanças de 360 graus", com focos de tensão em múltiplas frentes geográficas.
Ao transmitir a imagem de uma Europa que enfrenta crises simultâneas, o comissário europeu sublinhou que o continente está a viver um ambiente de ameaças a vários níveis.
"Estamos certamente a enfrentar desafios muito grandes, a que poderíamos chamar desafios de 360 graus. Existem grandes desafios na região do Mediterrâneo devido à guerra no Irão e à estabilização do Médio Oriente. Existem ameaças no Leste devido à guerra russa contra a Ucrânia e existem desafios relacionados com o facto de os americanos estarem a afirmar claramente nas suas estratégias que vão reduzir a sua presença no continente europeu e que querem que a Europa assuma a principal responsabilidade pela defesa convencional".
No mesmo contexto, Kubilius sublinhou a necessidade de acelerar a preparação da defesa europeia, referindo que as circunstâncias não deixam margem para atrasos: "Num ambiente como este, precisamos certamente de acelerar a nossa preparação para a defesa. Estamos a fazer muito, a Grécia dá bons exemplos do que temos de fazer e de como o fazer, mas os desafios que temos pela frente são ainda maiores".
Referindo-se especificamente ao nível de produção de defesa da Europa em comparação com a Rússia, o comissário foi particularmente incisivo: "Esta é uma das provas preocupantes, porque a Rússia continua a ultrapassar-nos em termos de produção e em vários domínios. Por isso, temos de aumentar a nossa produção. Precisamos de aprender muito com a Ucrânia, não só sobre a produção de alta tecnologia, que é muito sofisticada mas também muito cara e difícil de aumentar, mas também sobre soluções de produção mais simples e mais adequadas. Temos de passar da produção de 'alta costura' para a produção 'suficientemente boa', e é nesta direção que esperamos avançar nos próximos tempos."
Para concluir, o comissário abordou também a atitude dos cidadãos europeus relativamente ao reforço da defesa da UE, argumentando que existe uma aceitação social de uma defesa europeia mais forte: "O que vemos nas sondagens é que os cidadãos europeus consideram que o reforço da defesa europeia é uma das prioridades estratégicas mais importantes. Seria bom que os líderes nacionais ouvissem o que os cidadãos querem ver e conduzissem os seus países e a Europa como um todo em direção a esta prontidão de defesa que precisa de ser alcançada muito em breve".
As declarações de Kubilius à Euronews refletem claramente a nova doutrina que está a tomar forma em Bruxelas: uma Europa chamada a acelerar, a produzir mais e mais depressa, e a assumir uma maior responsabilidade pela sua própria segurança num ambiente internacional cada vez mais volátil.