O navio de cruzeiro MV Hondius, afetado pelo hantavírus, atracou no domingo nas Ilhas Canárias, em Espanha, de onde os passageiros regressarão aos países de origem em voos de repatriamento.
Já começaram os voos de repatriamento dos passageiros e da tripulação do navio de cruzeiro afetado pelo hantavírus, que atracou no domingo nas Ilhas Canárias, em Espanha.
O primeiro grupo, composto exclusivamente por cidadãos espanhóis, já foi retirado do navio e encontra-se a caminho de Madrid, onde ficará em quarentena.
Todos os passageiros a bordo desse avião estão assintomáticos.
O desembarque será feito em grupos de cinco pessoas e apenas quando a aeronave correspondente, consoante a nacionalidade do grupo, estiver pronta para descolar do Aeroporto Internacional de Tenerife Sul. A operação deverá decorrer até segunda-feira.
O governo espanhol afirmou que a operação será realizada de forma isolada, sem "qualquer contacto ou risco para a população local".
O navio seguirá depois o seu caminho para os Países Baixos.
Três passageiros do navio — um casal neerlandês e uma mulher alemã — faleceram, enquanto outros adoeceram com o vírus raro, que normalmente se propaga entre roedores.
Quatro pessoas estão sob vigilância em Itália depois de terem embarcado por um breve período num voo com uma das vítimas. O Ministério da Saúde do país afirma que o risco para o público é "muito baixo".
O único tipo de hantavírus que pode ser transmitido de pessoa para pessoa - o vírus dos Andes - foi confirmado entre as pessoas que deram positivo, o que tem alimentado a preocupação internacional.
"Classificamos todas as pessoas a bordo como o que designamos como 'contacto de alto risco'”, afirmou no sábado Maria Van Kerkhove, diretora de Preparação e Prevenção de Epidemias e Pandemias da OMS.
No entanto, o risco para o público em geral e para a população das Canárias continua a ser baixo, acrescentou.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que chegou a Espanha no sábado e deverá supervisionar a evacuação do navio, deu a mesma garantia e agradeceu ao povo de Tenerife pela sua solidariedade.
"Preciso que me ouçam claramente", escreveu Tedros numa carta aberta ao povo de Tenerife no sábado: "Isto não é mais uma situação como a Covid."
Após chegar a Tenerife, afirmou estar confiante de que a operação seria um sucesso. "Espanha está pronta e preparada", disse aos jornalistas.
A OMS indicou, na sexta-feira, ter confirmado seis casos dos oito suspeitos, sendo que não existem mais casos suspeitos no navio.
O MV Hondius segue viagem desde Cabo Verde, onde três pessoas infetadas já tinham sido retiradas no início da semana.
Rastreio e vigilância
O MV Hondius partiu de Ushuaia, na Argentina, no dia 1 de abril, para uma travessia através do Atlântico com destino a Cabo Verde.
O responsável provincial de saúde Juan Petrina afirmou que existe uma “probabilidade quase nula” de o cidadão neerlandês associado ao surto ter contraído a doença em Ushuaia, com base no período de incubação do vírus, entre outros fatores.
As autoridades de saúde de vários países têm acompanhado os passageiros que já desembarcaram e todas as pessoas que possam ter estado em contacto com eles.
Uma tripulante de cabine da companhia aérea neerlandesa KLM, que esteve em contacto com uma passageira infetada proveniente do navio de cruzeiro e, mais tarde, apresentou sintomas ligeiros, testou negativo ao hantavírus, indicou a OMS na sexta-feira. A passageira – esposa da primeira pessoa a morrer no surto – chegou a embarcar num voo de Joanesburgo para os Países Baixos a 25 de abril, mas foi retirada do avião antes da descolagem. Morreu no dia seguinte num hospital em Joanesburgo.
As autoridades espanholas informaram que uma mulher que seguia nesse voo está a ser testada para o hantavírus, depois de ter desenvolvido sintomas em casa, no leste de Espanha. Encontra-se em isolamento no hospital, adiantou o secretário de Estado da Saúde, Javier Padilla.
Duas pessoas residentes em Singapura que estiveram a bordo do navio testaram negativo para a doença, mas vão manter-se em quarentena, indicaram na sexta-feira, por sua vez, as autoridades da cidade-Estado.
As autoridades de saúde britânicas referiram igualmente, na sexta-feira, que existe um caso suspeito em Tristão da Cunha, um dos locais mais isolados do mundo, com cerca de 220 habitantes.