Líderes chinês e norte-americano procuram estabilizar relações durante encontro em Pequim, que decorre até 15 de maio.
O presidente chinês Xi Jinping advertiu o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, de que a questão de Taiwan poderia levar os dois países a um "conflito" se fosse mal gerida.
"A questão de Taiwan é o tema mais importante nas relações entre a China e os EUA", afirmou Xi, segundo a emissora estatal CCTV.
"Se for mal gerida, as duas nações poderão entrar em confronto ou mesmo em conflito, levando toda a relação entre a China e os EUA a uma situação altamente perigosa", sublinhou.
Trump foi recebido por Xi no tapete vermelho do Grande Salão do Povo, onde os dois apertaram as mãos e teve lugar uma grande receção.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ao líder chinês que as duas nações terão um "futuro fantástico juntas".
"É uma honra estar convosco. É uma honra ser seu amigo, e a relação entre a China e os EUA vai ser melhor do que nunca", disse Trump a Xi Jinping, enquanto se reuniam para conversações em Pequim.
Xi, por seu lado, disse também a Trump que as duas superpotências devem ser "parceiras e não rivais".
"Uma relação estável entre a China e os EUA é um benefício para o mundo. A cooperação beneficia ambas as partes, enquanto o confronto prejudica ambas. Devemos ser parceiros e não rivais", disse Xi.
Trump foi recebido por Xi no tapete vermelho do Grande Salão do Povo, onde os dois apertaram as mãos e teve lugar uma grande receção.
Uma banda militar chinesa tocou os dois hinos nacionais enquanto os canhões disparavam, antes de os dois líderes passarem por uma fila de guardas de honra militares e crianças que agitavam flores e pequenas bandeiras americanas e chinesas, cantando "bem-vindo, bem-vindo".
Xi também apertou as mãos de vários outros responsáveis norte-americanos, incluindo o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, e o secretário de Estado Marco Rubio.
Após a cerimónia de boas-vindas, os dois líderes entraram no Grande Salão do Povo para iniciar as conversações bilaterais.
Trump chegou a Pequim para uma cimeira de dois dias, onde as duas nações deverão discutir as suas frágeis relações comerciais, a guerra no Irão e Taiwan.
Temas do comércio, da guerra do Irão e de Taiwan no topo da agenda
O presidente pretende assinar acordos com a China para a compra de mais produtos agrícolas e aviões, dizendo que vai falar com Xi sobre comércio "mais do que qualquer outra coisa".
A guerra comercial de Trump com Pequim fez com que o comércio entre os EUA e a China entrasse em queda livre e obrigou as empresas de ambos os lados do Pacífico a reagruparem-se.
O líder dos EUA também disse que teria uma "longa conversa" com Xi sobre o Irão, que vende a maior parte do seu petróleo sancionado pelos EUA à China. Espera-se que Trump encoraje a China a pressionar Teerão a fazer um acordo com Washington, apesar de o líder norte-americano ter insistido que não acha que os EUA "precisem de qualquer ajuda de Pequim" em relação ao Irão.
Entretanto, Xi deverá abordar a decisão de Washington de vender armas a Taiwan, uma ilha autónoma que a China reivindica como sua e que diz dever ficar sob o seu controlo.
Em dezembro, os EUA anunciaram a venda de armas em grande escala a Taiwan, avaliadas em mais de 10 mil milhões de dólares (8,6 mil milhões de euros), mas ainda não avançaram com a entrega.
Trump e Xi estão a tentar estabilizar as suas relações durante a sua reunião em Pequim, que decorre de 13 a 15 de maio.
A visita a Pequim marca a primeira de um presidente dos EUA desde 2017, quando Trump lá esteve pela última vez levando Melania Trump, que não o acompanhou desta vez.
O líder dos EUA também foi acompanhado por vários CEOs de topo na sua visita de Estado, incluindo Jensen Huang da Nvidia, Elon Musk da Tesla, Tim Cook da Apple, bem como outros executivos da Meta, Visa, JPMorgan Chase, Boeing, Cargill, entre outros.
A agenda inclui ainda uma visita ao histórico Templo do Céu, Património Mundial da Humanidade, onde os imperadores chineses rezavam em tempos para obter boas colheitas, e um banquete de Estado no salão, ao fim da tarde.