Em escrutínios secretos da Assembleia Geral para os lugares europeus, Portugal e a Áustria obtiveram, respetivamente, 134 e 131 votos, enquanto a Alemanha conseguiu 104.
A Alemanha não conseguiu, esta quarta-feira, pela primeira vez, garantir um lugar no Conselho de Segurança da ONU, com Portugal e a Áustria a obterem mais votos para as duas vagas da Europa Ocidental a partir de 2027.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas tem 15 membros: cinco permanentes – os Estados Unidos, a Rússia, a China, a França e o Reino Unido – e 10 eleitos por mandatos de dois anos, renovados de forma faseada, com lugares atribuídos a diferentes regiões do mundo.
Na votação secreta da Assembleia Geral para os lugares europeus, Portugal e a Áustria obtiveram, respetivamente, 134 e 131 votos, contra 104 da Alemanha.
Membro do G7, a Alemanha é a maior economia da Europa e é considerada o pilar político e de segurança do continente.
Wadephul fez campanha em busca de apoio até ao último momento
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, manteve conversações intensas com diplomatas e representantes governamentais em Nova Iorque para promover a candidatura alemã e, até poucas horas antes da votação, continuava a manifestar confiança.
Na campanha, Wadephul destacou o papel da Alemanha como um dos maiores contribuintes financeiros do sistema da ONU, bem como o seu envolvimento em missões de paz. O governo federal também prometeu aos Estados africanos apoio à sua exigência de maior influência no Conselho de Segurança.
Desde o início, porém, a candidatura foi considerada difícil. Ao contrário das candidaturas anteriores, desta vez a Alemanha enfrentava dois concorrentes sérios.
Os círculos diplomáticos também viram com olhos críticos o facto de o governo federal não ter descrito claramente os ataques dos EUA ou de Israel ao Irão como violações do direito internacional. Os observadores viram nisso uma potencial desvantagem para a candidatura.
Outra desvantagem foi o facto de a Áustria já ter anunciado a sua candidatura em 2011, seguida por Portugal em 2013. Berlim só entrou oficialmente na corrida em 2020, o que lhe deixou significativamente menos tempo para angariar apoios.