O incidente ocorre dois dias depois de as forças armadas britânicas terem abordado e apreendido, no Canal da Mancha, um petroleiro sujeito a sanções, suspeito de fazer parte da frota-sombra da Rússia.
O Ministério da Defesa britânico afirmou na terça-feira que estava a "investigar relatos de um incidente no Canal da Mancha", ao mesmo tempo que uma fonte do Ministério da Defesa do Reino Unido revelou à agência de notícias AFP que um iate tinha comunicado que um navio de guerra russo tinha disparado tiros de aviso.
Segundo a fonte, o incidente terá ocorrido a cerca de 20 milhas náuticas (37 quilómetros) a sul da Ilha de Wight, mesmo na fronteira com as águas britânicas.
Questionado sobre os alegados tiros de aviso, um porta-voz do Ministério da Defesa do Reino Unido referiu: "Estamos a investigar relatos de um incidente no Canal da Mancha."
A fonte do Ministério da Defesa referiu que o caso está a ser tratado como um incidente isolado, sem ligação à interceção levada a cabo pelo Reino Unido na madrugada de domingo.
No incidente relatado na terça-feira, o iate registado no Reino Unido alegou que um navio da Marinha russa tinha disparado tiros de aviso a uma distância de aproximadamente 500 jardas (457 metros).
Não foram comunicados feridos nem danos por parte do iate, que prossegue a sua viagem após uma verificação de segurança efetuada por uma embarcação enviada pelo navio de guerra britânico HMS Tyne.
Sabe-se que outro navio da Marinha britânica, o HMS Mersey, estava a monitorizar o navio russo no momento do incidente.
O incidente ocorreu dias depois de comandos britânicos terem intercetado e abordado um navio suspeito de pertencer à frota-sombra russa na mesma zona do Canal da Mancha, na primeira operação deste tipo liderada pelo Reino Unido.
A interceção de domingo viu as forças britânicas abordarem o petroleiro Smyrtos, alvo de sanções e que se diz pertencer à frota-sombra da Rússia, numa operação dramática saudada por Kiev e Londres como um golpe contra a máquina de guerra de Moscovo.
A operação decorreu ao largo da costa sul de Inglaterra, com os comandos a descerem de corda a partir de um helicóptero na escuridão, de acordo com imagens do Ministério da Defesa.
Na segunda-feira, os procuradores britânicos acusaram Ajay Pant, o capitão indiano do Smyrtos, de violar as sanções impostas pelo Reino Unido à Rússia na sequência da sua invasão em grande escala da Ucrânia em 2022.
O homem de 38 anos compareceu na terça-feira, por videoconferência, no Tribunal de Magistrados de Southampton, a partir da esquadra de polícia de Bournemouth, para uma audiência preliminar.
Limitou-se a confirmar o seu nome e data de nascimento e a indicar que a sua morada se situa na Índia. Também não deu qualquer indicação quanto à sua posição em relação à acusação, tendo o seu advogado solicitado que o processo fosse remetido para o Tribunal da Coroa.
Pant ficou em prisão preventiva, na expectativa de uma audiência para a apresentação da declaração de culpa ou inocência e preparação do julgamento, a realizar-se no Tribunal da Coroa de Bournemouth, a 16 de julho.