Os quartos de final, dominados quase totalmente pela Espanha, não se refletiram no resultado, que acabou mais equilibrado do que 'La Roja' desejava. Uma lesão de Courtois acabou por desequilibrar por completo o encontro.
Partida daquelas que valem meio Campeonato do Mundo. Na arena do Coliseu norte-americano, desta vez com relvado, encontravam-se uma fera como Espanha e um gladiador sem forças como a Bélgica. Ainda assim, a missão não se adivinhava fácil. Pela frente estavam nomes como Courtois, Lukaku ou De Bruyne. Mas a 'La Roja' não se encolheu e começou o jogo a dar luta, guiada por Baena e Cubarsí.
A batuta do jogo, como seria de esperar, dançava ao ritmo das camisolas vermelhas, com Porro a impedir que a dinamite de Doku se acendesse no ataque belga. Baena teve a primeira oportunidade para intimidar o guarda-redes belga, e o jogo, durante grande parte do tempo, desenrolava-se no meio-campo belga.
A faixa direita era onde se concentrava o perigo e onde a Bélgica parecia mais vulnerável. De Cuyper, via Rodri e Yamal, partir para o um contra um com alguma facilidade e, como seria de esperar, o extremo do Barça tentou pôr à prova a baliza adversária, embora a bola tenha saído ligeiramente ao lado direito de Courtois, que apenas seguiu o esférico com o olhar.
Os 'Diabos Vermelhos' agradeceram a pausa para hidratação como um gladiador que vê a última besta tombar cansada na relva. Só que essa besta, os 11 de Luis de la Fuente, já tinha sentido cheiro a sangue e não ia parar até o conseguir.
E, como diz o provérbio popular, tantas vezes vai o cântaro à fonte... que acaba por se partir. Porro e Yamal construíram pela direita, a zona maldita para a Bélgica, e deram a bola a Olmo. O seu remate acabou defendido por Courtois, mas, como se de um milagre se tratasse, um dos melhores guarda-redes do mundo não segurou bem e Fabián atirou com a força de 27 homens.
Yamal voltou a testar se as luvas de Courtois mantinham o fraco agarre mostrado no golo e o guarda-redes voltou a sofrer um susto que poderia ter feito o 2-0 no marcador. Rudi García, que começava a perceber o perigo, começou a mexer no banco de suplentes para ver se aquela sangria de grandes dimensões era possível estancar.
Os lances terminavam constantemente a favor da 'La Roja'. Tanto que, ao minuto 37, uma sequência de passes praticamente ao primeiro toque acabou por levantar uma série de 'olés' na bancada. Infelizmente, a jogada não terminou a perfurar a baliza belga, mas, se o tivesse feito, o concurso para a melhor jogada do Mundial já estaria praticamente decidido.
Doku via como espectador de luxo os desmarques de Yamal. O belga, espectador de primeira fila, viu o extremo do Barça enfrentá-lo e atirar a bola à malha lateral da baliza.
Mas, como bom gladiador, a Bélgica não se ia encolher. De Ketelaere aproveitou um cruzamento e cabeceou para dentro da baliza de Simón. Os 'Diabos Vermelhos' abriram a lata dos 580 minutos em que Espanha manteve a baliza imbatida. O coração de milhares de espectadores espanhóis voltava a apertar e os dos belgas desciam para pulsações mais tranquilas.
O encontro chegou ao intervalo ligeiramente enevoado. Nenhuma das equipas conseguia convencer, assustar ou meter medo à baliza contrária. De jogo de futebol passou a autêntico vaivém, de um lado para o outro.
A segunda parte do jogo começou na mesma tónica da primeira. Com a Espanha a mandar na bola, mas com a Bélgica, desta vez, a acompanhar a dança da 'La Roja' com algum canto, lance de bola parada ou movimento da frente de ataque.
De la Fuente decidiu então fazer alterações. Pedri e Ferrán foram os escolhidos para revolucionar o relvado. E, embora seja verdade que as substituições trouxeram frescura, faltava ainda uma marcha extra na frente de ataque e eficácia na finalização.
García acabou por mexer no banco belga. De uma assentada lançou três jogadores, mesmo antes da baliza de Simón sofrer com o ataque de Lukaku, um dos três homens que poucas linhas antes citámos.
A pausa de hidratação da segunda parte, a que serve para mais anúncios, permitiu que Courtois se recuperasse de um susto que o deixou no chão. O guarda-redes belga queixou-se de um problema na perna direita que acabou por o relegar ao banco, em favor de um jovem Lammens.
Espanha chegava, mas não finalizava com perigo. A equipa precisava de pernas frescas que conseguissem, pelo menos, concluir as jogadas que, com tanta mesura e critério, se teciam praticamente à entrada da área.
Nico Williams foi o eleito e Oyarzábal, o substituído. A 'La Roja' pecava por procurar constantemente Yamal, algo compreensível, mas que fazia com que nenhuma jogada acabasse a testar as luvas de Lammens.
E tantas vezes voltou o cântaro à fonte... que se voltou a partir. Espanha, no único remate que praticamente teve na segunda parte, graças a Cubarsí, testou de que fibra era feito o guarda-redes belga. E o remate não foi segurado, quase como o de Courtois na primeira parte, o que permitiu que Mikel Merino, o mesmo que nos classificou frente a Portugal, rematasse a bola solta na pequena área para o fundo da baliza.
Com este resultado, Espanha vai bater-se com a França no próximo dia 14 de julho, terça-feira, às 21h00, em Dallas. E este humilde jornalista escolhe acreditar.