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Socialistas europeus encaminham-se para confronto devido a divergências sobre política de migração

A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen, à direita, reúne-se com o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez em Marienborg, Lyngby, Dinamarca, 2 março 2023
Primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen, à direita, reúne-se com o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, em Marienborg, Lyngby, Dinamarca, 2 de março de 2023 Direitos de autor  AP Photo/Ritzau Scanpix
Direitos de autor AP Photo/Ritzau Scanpix
De Luca Bertuzzi
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O Partido Socialista Europeu enfrenta uma rutura interna após eurodeputados italianos e espanhóis acusarem Frederiksen de “solidariedade seletiva” sobre Ceuta e a imigração.

O Partido dos Socialistas Europeus (PSE) caminha para um confronto interno, à medida que se aprofundam as divisões entre as delegações nacionais sobre a política de migração, na sequência da crise de Ceuta, em que mais de 72 000 pessoas atravessaram ilegalmente para o enclave espanhol a partir de Marrocos, no final de julho.

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Durante a crise, a primeira-ministra de centro-esquerda da Dinamarca, Mette Frederiksen, juntou-se a Itália, Alemanha, Finlândia e Suécia nas críticas ao governo de Pedro Sánchez pela forma como geriu a situação.

“São imagens de violência em Ceuta. Não iremos aceitar uma repetição de 2015”, disse Frederiksen à agência de notícias dinamarquesa Ritzau na altura. “É evidente que a UE tem de tomar imediatamente todas as medidas necessárias e considerar todas as opções, incluindo uma suspensão da cooperação Schengen.”

A primeira-ministra dinamarquesa coassinou, com a líder italiana da extrema-direita, Giorgia Meloni, uma carta subscrita por 22 Estados-membros que criticava a recente regularização, por Espanha, de cerca de meio milhão de migrantes como alegado “fator de atração” por detrás da crise.

Frederiksen foi mais longe, alinhando-se com Meloni na área das migrações, ao coassinarem uma declaração conjunta em que se comprometem a travar a migração descontrolada e a acelerar a criação de centros de repatriamento em países terceiros.

Numa carta enviada ao presidente do PSE, Stefan Löfven, no início desta semana, os eurodeputados Peppe Provenzano (Itália/S&D) e Javi López (Espanha/S&D) — duas figuras de peso do grupo de centro-esquerda — acusaram Frederiksen de “solidariedade seletiva”.

“É inaceitável que, enquanto outro parceiro europeu enfrentava uma pressão excecional, um membro da nossa própria família política tenha optado por se alinhar, de forma coordenada, com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que acabara de decidir suspender Schengen numa iniciativa puramente propagandística, dado que não existe liberdade de circulação de Ceuta para a UE”, lê-se na carta, num excerto divulgado à comunicação social.

As delegações italiana e espanhola sublinham que a Dinamarca beneficiou da solidariedade europeia perante repetidas violações do seu espaço aéreo e ameaças explícitas do presidente norte-americano, Donald Trump, de tomar o território autónomo da Gronelândia.

Ainda assim, argumentam, Frederiksen adotou “a narrativa da direita radical, que apresenta a migração como uma emergência permanente, mesmo quando as chegadas irregulares à Europa diminuíram de forma acentuada – cerca de 40% – desde o início do ano, alimentando um clima de alarme e medo politicamente oportunista”.

Em contraste, o porta-voz e deputado do partido dinamarquês, Rasmus Stoklund, não recuou, insistindo que a posição rigorosa dos sociais-democratas em matéria de migração se mantém inalterada, já que o partido continuará a defender fronteiras externas da UE mais robustas e centros de retorno fora da Europa.

O fosso entre os socialistas dinamarqueses e o resto do grupo não é novo: a delegação nacional, composta por três eurodeputados, votou repetidamente contra a linha do grupo nos dossiês de migração.

Mas, para as delegações espanhola e italiana, divergir da posição do grupo, como acontece frequentemente noutros temas, é uma coisa; alinhar-se abertamente com uma líder da direita dura europeia como Meloni é outra.

“A Dinamarca assume uma posição, em matéria de migração e asilo, que coloca claramente tensão na posição e na linha de voto do grupo S&D no Parlamento Europeu”, afirmou o eurodeputado Juan Fernando López Aguilar (Espanha/S&D) à Euronews.

“Nesta situação em particular, o desafio tornou-se maior, porque não afeta apenas questões relacionadas com migração e asilo — afeta a solidariedade com um Estado-membro concreto”, acrescentou López Aguilar.

Segundo apurou a Euronews, a pertença dos sociais-democratas dinamarqueses ao partido europeu dos socialistas, de que são membros fundadores, não está em causa; o objetivo passa antes por encontrar uma base de entendimento sobre este tema sensível.

Para esse efeito, a carta apela a que o tema seja discutido na próxima reunião da presidência do partido, prevista para pouco antes da cimeira do Conselho Europeu de 15 e 16 de outubro.

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