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ONU pede acesso total para investigadores enquanto aumenta número de mortos em Gaza

Ainda estão a ser retirados corpos dos escombros em Gaza
Continuam a ser recuperados corpos dos escombros em Gaza Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Simon Ormiston
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Pedido da ONU para acesso aos mortos não contabilizados em Gaza levanta questões que podem definir o julgamento desta guerra.

As Nações Unidas instaram Israel a conceder acesso a investigadores internacionais a todas as zonas de Gaza, numa altura em que continua a recuperação de restos mortais entre as ruínas do território, quase três anos depois do início da guerra.

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O gabinete de direitos humanos da ONU afirmou que a recolha de provas em locais destruídos é essencial, apelando a que “os investigadores internacionais sejam autorizados a entrar em todas as partes de Gaza para ajudarem na recolha de provas”.

A maioria dos mortos recuperados será de mulheres e crianças, um dado que, segundo a ONU, aponta para a probabilidade de terem sido cometidos crimes de guerra durante a campanha.

“Estão agora a ser desenterrados restos mortais do que parecem ser famílias inteiras em locais que foram pulverizados por ataques israelitas”, assinalou o alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Türk, em comunicado.

“Receio que os restos mortais recuperados até agora sejam apenas a ponta do icebergue”, acrescentou, lembrando que “grande parte de Gaza foi arrasada pelos bombardeamentos israelitas ou por demolições e operações de limpeza com maquinaria pesada e explosivos”.

“Hoje, muitas áreas de Gaza onde o exército israelita está estacionado continuam a ser niveladas por bulldozers, sem respeito pelos mortos sob os escombros”, afirmou.

Segundo dados da ONU, até 82% da Faixa de Gaza foi reduzida a escombros após a ofensiva militar israelita
Segundo dados da ONU, até 82% da Faixa de Gaza foi reduzida a escombros após a ofensiva militar israelita AP Photo

De acordo com a Defesa Civil palestiniana, mais de 630 corpos e outros restos mortais foram retirados debaixo de edifícios colapsados em toda a Faixa de Gaza só desde novembro passado.

O gabinete de direitos humanos da ONU citou uma estimativa segundo a qual mais de 8 000 pessoas continuam desaparecidas sob os escombros, um número que sublinha até que ponto a devastação do território ainda está por contabilizar.

Türk insistiu em que “devem ser feitos todos os esforços possíveis para documentar e identificar estas vítimas, preservar informação forense e amostras biológicas, registar os locais de sepultura e informar as famílias”.

“A descoberta de extensos restos mortais sob os escombros na Cidade de Gaza reacende as preocupações com crimes de guerra e outros crimes atrozes”, alertou.

A guerra começou após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que matou pelo menos 1 195 pessoas, segundo dados oficiais israelitas. A posterior campanha de bombardeamentos e a ofensiva terrestre de Israel deixaram grande parte de Gaza em ruínas.

O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, afirma que a ofensiva já matou mais de 73 000 palestinianos no total, incluindo mais de 1 350 desde a assinatura de um cessar-fogo em outubro passado.

Para os governos europeus que procuram gerir as repercussões diplomáticas do conflito, o apelo da ONU aumenta a pressão sobre Israel para abrir Gaza a uma fiscalização independente, numa altura em que a dimensão das perdas civis continua a ser revelada.

Outras fontes • AFP

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