A empresa garante que o apartamento não está à venda e coloca-o à disposição da Câmara Municipal de Madrid para se encontrar uma solução habitacional.
A sociedade imobiliária Urbagestión propôs, esta sexta-feira, à Câmara Municipal de Madrid que a habitação na Rua Alcalde Sainz de Baranda, onde Maricarmen viveu durante 70 anos, seja integrada no programa municipal Reviva, para que a senhora de 87 anos possa regressar à sua casa com uma renda estável e acessível.
A empresa garante que o apartamento não está à venda e que colocou o imóvel à disposição da Empresa Municipal de Habitação e Solo (EMVS) e dos Serviços Sociais para se encontrar uma solução. A proposta ainda não recebeu resposta da Câmara Municipal, enquanto o Sindicato de Inquilinas afirma que nem a organização nem a advogada de Maricarmen receberam, até ao momento, informações sobre o plano.
Maricarmen falou pela primeira vez a partir do Hospital Gregorio Marañón, onde permanece internada após o despejo. Num vídeo divulgado pelo Sindicato de Inquilinas, agradeceu o apoio recebido e pediu que se pusesse fim ao problema dos "fundos abutres". "Não consegui defender a minha casa, mas lutei para que os outros aprendessem a lutar pela deles", afirmou.
Maricarmen pediu também aos madrilenos que participem na manifestação convocada para este sábado pelo Sindicato de Inquilinas, para exigir soluções para a crise da habitação.
Maricarmen foi despejada na passada quarta-feira da habitação, situada no bairro madrileno de Retiro, depois de ter vivido lá durante 70 anos. A Urbagestión exigia uma renda de 1.650 euros mensais, contra os 500 euros que ela pagava até então.
O pai de Maricarmen assinou o contrato de arrendamento em 1956 e, após a sua morte, ela continuou a viver na habitação ao abrigo de um contrato de arrendamento antigo. O Supremo Tribunal acabou por decidir a favor do proprietário, depois de uma primeira decisão judicial ter dado razão à inquilina.