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Vitaliy Klychko: "Não ter sonhos é uma chatice"

Vitaliy Klychko: "Não ter sonhos é uma chatice"
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De  Euronews
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Dos ringues de boxe para a arena da política: Vitaliy Klichko é o atual campeão mundial de pesos-pesados da WBC. Os irmãos Klychko (Vitaliy e Volodymyr) colocaram a Ucrânia no centro do mapa mundial do boxe e acabaram com a hegemonia dos norte-americanos. Agora, chega o desafio da política. Depois de duas tentativas falhadas de eleição como presidente da Câmara de Kiev, Vitaliy deve agora lançar-se nas eleições presidenciais de 2014. A euronews foi conhecê-lo.

Nataliia Lyubchenkova, euronews:

Há alguma coisa em comum entre o desporto e a política?

Vitaly Klychko:

Há muito em comum, porque na política, como no desporto, é preciso trabalhar muito para atingirmos os nossos objetivos. O que se aplica no desporto pode aplicar-se na política… mesmo se a política em certos aspetos é muito diferente do desporto. Sobretudo na Ucrânia, faz-me lembrar um combate sem regras.

euronews:

Quanto tempo demorou a passar do desporto para a política? Qual foi a parte mais difícil?

Vitaliy Klichko:

Para tudo, é preciso experiência. Não foi fácil mudar do desporto para a política. Levei muitos anos a tornar-me campeão no boxe. O mais difícil na política é perceber as regras, muitas vezes não há regras, é a lei da selva.

euronews:

Schwarzenegger era o seu ídolo na adolescência. Tem algum modelo na política?

Vitaliy Klychko:

Agradeço muito ao desporto, pelas portas que me abriu. Graças a ele, conheci muita gente notável na política e nos negócios. Foi bom ter conhecido pessoas como Bill Clinton e Joschka Fischer. Tenho um grande respeito por Roosevelt.

euronews:

Nas eleições para a câmara de Kiev perdeu duas vezes. Porquê?

Vitaliy Klychko:

Não perdi, simplesmente não ganhei. Não quero encontrar desculpas, mas acho que não consegui provar ao eleitorado que Klychko pudesse ser um bom presidente da câmara de Kiev.

euronews:

O seu irmão interessa-se pela política? Houve os irmãos Kennedy nos Estados Unidos, os irmãos Kaczynsnski na Polónia… haverá um dia os irmãos Klychko na política ucraniana?

Vitaliy Klychko:

O meu irmão não tem planos nesse sentido, mas apoia-me em tudo o que faço.

euronews:

Do que é que Vitaliy Klichko tem medo?

Vitaliy Klychko:

Se alguém diz que não tem medo de nada, é porque está a mentir. Não quero dizer do que tenho medo, porque esses são os meus pontos fracos. Quero que a minha família tenha saúde e segurança.Tenho medo de algumas coisas, mas isso dá-me motivação. O medo dá-me motivação. Trabalhar nestes campos, em que não me sinto muito à vontade, em que me sinto preocupado.

euronews:

E no boxe, o que é que o motiva? Parece que conseguiu atingir todos os objetivos possíveis, os outros foram atingidos pelo seu irmão.

Vitaliy Klychko:

Sabe uma coisa… não ter motivação é mau. Eu tenho um sonho no boxe. Viver sem sonhos é uma chatice. É mau viver sem sonhos. Por isso ainda tenho um sonho que quero realizar, algo que é um segredo até que aconteça. Por isso continuo no boxe.

euronews:

É verdade que planeia pôr um fim à carreira em breve, depois de mais alguns combates?

Vitaliy Klychko:

De forma alguma vou fazer como o George Foreman, que foi campeão do mundo aos 45 anos. Quando chegar a altura de pendurar as luvas e agradecer a todos pelo apoio que me deram, é o que farei. Deixo o desporto.

euronews:

Há quem diga que Nikolay Valuev e David Haye são os únicos verdadeiramente à sua altura. O seu manager disse o mesmo. Pensa combater contra eles?

Vitaliy Klychko:

Não posso responder a essa questão, porque enquanto não houver contratos assinados não posso confirmar nada. Até lá, não passa de especulação.

euronews:

Mas gostaria?

Vitaliy Klychko:

Nikolay Valuev está no Guinness como o boxeur mais alto de todos os tempos. Deve ser uma sensação fora do vulgar combater com ele. Sim, gostava de o encontrar no ringue.

euronews:

Sei que também gosta de outros combates. É verdade que gosta de xadrez? Já jogou com alguns jogadores famosos?

Vitaliy Klychko:

Sim, já jogo há muitos anos, desde a adolescência. Mas não sou um profissional, não é assim que me quero apresentar. Já joguei contra Vladimir Kramnik, que é meu amigo, e contra Gary Kasparov consegui fazer trinta lances, o que é um ótimo resultado!

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