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Catalunha vai referendar independência, contra o governo central

Catalunha vai referendar independência, contra o governo central
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De  Euronews
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Demonstração de força e sucesso dos Media catalãos independentistas.
No dia 11 de setembro, na Diada, Dia da Catalunha, centenas de milhares de pessoas participaram numa corrente humana em toda a região espanhola de norte a sul, ao longo de 400 km. O objetivo foi reclamar a realização de um referendo sobre a independência da Catalunha.

No Parlamento da Catalunha, os partidos que apoiam a celebração estão em maioria e aprovaram a realização do referendo. A agenda política do presidente catalão, Artur Mas, ficou marcada por esta promessa eleitoral, mesmo ao mesmo preço de antagonizar o governo central, em Madrid.
No dia 12 de dezembro de 2013, Artur Mas, presidente da Generalitat anunciou que a consulta será feita a 9 de novembro de 2014:

“ Vai chegar o tempo, de as instituições espanholas negociarem com as instituições catalãs para integrarem o referendo no quadro legal existente, e as possibilidades são infinitas “, diz o presidente do governo catalão.

As duas perguntas do refrendo são:

- Quer que a Catalunha se torne um Estado ? – E se assim for, quer que o Estado seja independente?

Tudo isto foi organizado à margem do governo espanhol, que reagiu imediatamente, classificando o referendo de erro histórico. “Está, simplesmente, fora de questão”, afirmou o chefe do governo, Mariano Rajoy, e acrescentou:

“É inconstitucional e não vai acontecer. Esta decisão tomada pelos partidos catalães está em perfeita oposição à Lei e à Constituição. “

Decidido a defender este projeto a nível internacional, Artur Mas enviou uma carta, no fim de dezembro a dirigentes da UE, e da Comissão, em que escreveu, nomeadamente :

“Estou confiante de que posso contar consigo para incentivar a paz, o processo democrático, transparente e europeu, com que, uma vasta maioria de catalães se comprometeu. “

As respostas chegaram, com cortesia. Durão Barroso escreveu:

“Não é meu papel, nem da Comissão, expressar opiniões de encorajamento em questões de administração interna, relacionada com alterações constitucionais dos Estados membros.”

Este, será portanto um diferendo interno de Espanha. O braço de ferro entre Maas e Majoy

Para aprofundar a questão, temos, em Barcelona, o analista político Antoni Gutiérrez-Rubí. Francisco Fuentes – Na sua opinião, quais são as consequências imediatas desta decisão?

Antoni Gutiérrez-Rubi – A primeira consequência é o relançamento do processo de soberania. A segunda, é que vai criar problemas às forças maioritárias em Espanha – o Partido Popular e o Partido Socialista – que tentarão argumentar contra. Até agora, alegou-se, simplesmente, que é interdito pela Constituição, apesar da delegação de competências ser permitida constitucionalmente. A terceira consequência, e mais imediata, é que vai estar no epicentro das relações sobre o futuro de Espanha e o futuro da Catalunha”.

euronews – Passou um mês, desde que o presidente catalão, Artur Mas, anunciou a convocatória do referendo, no próximo mês de novembro. Nas últimas semanas, enviou cartas a vários dirigentes europeus, de momento sem grande êxito. Como interpreta a estratégia do presidente catalão?

Antoni Gutiérrez-Rubí – A ideia é explicar aos parceiros europeus que o governo espanhol não está disposto a permitir que uma comunidade autónoma, a Catalunha, tal como a Escócia está a fazer no Reino Unido, possa tomar uma decisão sobre o futuro e sobre o modelo de relações com Espanha. Ele situa o tema no âmbito de uma certa incompreensão do governo espanhol, não somente nas petições catalãs mas também na fórmula de consulta, o voto, na forma de referendo democrático. Veremos a petição passar rapidamente no Congresso de Deputados e o governo espanhol e as forças políticas espanholas argumentarem que não é possível fazer em Espanha o mesmo que no Reino Unido.

euronews – Porque é que este tipo de diálogo é impossível em Espanha?

Antoni Gutiérrez-Rubí – Creio que o Partido Popular e o presidente Rajoy são reféns das bases eleitorais, muito refratárias, pró-nacionalistas espanholas, e não querem, sob nenhum pretexto, fazer as reformas necessárias que a nossa arquitetura institucional, a Constituição, reclamam.
Por seu lado, o Partido Socialista, devido à longa tradição igualitária, não parece dispôr de chaves políticas e de flexibilidade para estabelecer uma nova relação bilateral entre a Catalunha e a Espanha, baseada num novo pacto..
Ora, o imobilismo de Rajoy não garante uma solução do problema de fundo, ou seja, que uma maioria dos cidadãos da Catalunha deseja e quer decidir o próprio futuro e ter uma nova relação com Espanha.

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