Tom Fletcher defende o papel da ONU num mundo fraturado, insistindo que as novas iniciativas de paz não podem substituir o organismo global.
O chamado "Conselho da Paz", apoiado pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, "não é uma alternativa à ONU", segundo o subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários. Tom Fletcher rejeitou as sugestões de que a iniciativa poderia rivalizar com a organização global.
Em declarações à Euronews no programa matinal Europe Today, Fletcher afirmou que tanto Washington como os países participantes deixaram claro que a iniciativa não se destina a substituir as Nações Unidas.
"Continuamos aqui", afirmou, sublinhando que a ONU continua a ser uma organização de mais de 190 países membros capaz de coordenar as respostas globais a conflitos e crises.
Fletcher disse não se sentir ameaçado pela criação de outros formatos diplomáticos, acrescentando que "há conflitos suficientes no mundo" que podem ser resolvidos através de esforços multilaterais.
ONU sob pressão num mundo "polarizado"
As declarações de Tom Fletcher surgem num contexto de críticas crescentes à eficácia da ONU, à medida que se intensificam as guerras e as perturbações geopolíticas.
"Esta é uma época de impunidade, divisão e polarização", afirmou Fletcher, alertando contra os esforços para enfraquecer a organização. "A ONU é perfeita? De maneira nenhuma", acrescentou. "Mas não vou aceitar os ataques que nos são dirigidos."
Apesar das críticas crescentes às Nações Unidas, Fletcher garantiu que a organização irá perdurar, argumentando que a sua estrutura reflete a complexidade da política mundial.
"Representamos as imperfeições do mundo", afirmou, salientando que a organização só pode atuar quando os Estados-Membros lhe conferem um mandato, algo cada vez mais difícil num clima geopolítico polarizado.
Aumento do número de vítimas humanitárias no Médio Oriente
Fletcher afirmou que a situação humanitária no Médio Oriente está a piorar, destacando os conflitos no Sudão, em Gaza e no Líbano, onde a distribuição de ajuda é cada vez mais perigosa.
A presidente do Parlamento Europeu referiu que dezenas de milhares de pessoas foram deslocadas no Líbano, descrevendo a situação como "muito grave". Ao mesmo tempo, devido ao conflito no Irão, centenas de milhares de pessoas foram deslocadas internamente. No entanto, por enquanto, não se registam ondas de migração transfronteiriça em grande escala.
Fletcher alertou para o facto de as deslocações a nível mundial poderem vir a aumentar, devido não só aos conflitos, mas também às alterações climáticas. "Esta crise não pode ser colocada numa caixa", afirmou, alertando para o facto de as guerras e a crise ambiental poderem provocar mais migrações nos próximos anos.
Sobre o risco de uma escalada regional mais ampla, Fletcher apontou para um potencial diálogo diplomático entre Israel e o Líbano, depois de Beirute ter manifestado a sua disponibilidade para conversações diretas. "O caminho é através do diálogo e da diplomacia, não através de uma violência mais brutal", afirmou.