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Turquia: Analista Bekir Ağırdır explica vitória do AKP apesar de todos os escândalos

Turquia: Analista Bekir Ağırdır explica vitória do AKP apesar de todos os escândalos
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De Euronews
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O AKP, o partido do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, venceu as eleições municipais na Turquia.

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Uma vitória que não é uma surpresa. No país, poucos acreditavam noutro tipo de resultado. A oposição fez algumas denúncias de fraude, mas, na generalidade, o resultado não foi contestado.

O escrutínio foi, apesar de tudo, considerado pelos analistas como um plebiscito ao governo, mergulhado numa onda de escândalos e suspeitas de corrupção a vários níveis.

O nosso repórter na Turquia, Bora Bayraktar, foi ouvir um dos mais importantes analistas dos fenómenos eleitorais no país, Bekir Ağırdır, para perceber porque é que Erdogan domina, apesar dos problemas dos últimos meses e das interdições de redes sociais e sites de internet no país.

Bora Bayraktar, euronews: Nestas eleições, consideradas como um plebiscito ao governo, o AKP alcançou uma maioria esmagadora. Como é que avalia isto? Como é que o AKP ganhou estas eleições?

Bekir Ağırdır, Konda Research and Consultancy: Há várias razões. Algumas, são técnicas. Em 30 grandes cidades, foram criadas novas circunscrições, o que afetou 77% do eleitorado.

A Turquia continua a enfrentar uma vaga de êxodo rural: 27 milhões de pessoas migraram para as cidades nos últimos 30 anos.

E digo isto porque os dados que tínhamos sobre a sociedade turca de antes dos anos 80 – sobre a estrutura sociológica industrial -, esses dados mudaram.

E isto é algo que a elite política da Turquia, as universidades e os ‘media’ turcos não reconhecem ou não têm em consideração.

A natureza da sociedade turca mudou, com este êxodo e esta fixação das pessoas nas cidades.

Há também uma mudança global de uma sociedade industrial para uma sociedade de informação que afeta o quotidiano turco.

Bora Bayraktar, euronews: A interdição do Twitter e do Youtube, os incidentes do Parque Gezi e outros escândalos tiveram alguma influência nestas eleições?

Bekir Ağırdır, Konda Research and Consultancy: Sim, tiveram e têm. Durante os incidentes em Gezi, o AKP perdeu 5 pontos, segundo as nossas sondagens. Em dois meses, recuperou-os.

Durante o escândalo da corrupção, perdeu 5 ou 6 pontos; em fevereiro, recuperou-os. Em março, recuou outra vez.

Se isto não tivesse acontecido, o AKP teria alcançado 52 ou 53%. Portanto, perdeu um pouco.

O resultado das eleições não significa que a corrupção seja ignorada ou tolerada. A corrupção é uma questão legal. As eleições são uma questão de política.

Mas penso que Erdogan e o AKP cometeram um erro ao interpretarem os resultados eleitorais como se as acusações tivessem sido retiradas.

Tanto o AKP como a oposição estão enganados. O povo, este domingo, não votou pela ilibação ou pela punição dos acusados.

O povo votou pela capacidade de gerir o país. E o fator determinante foi a polarização política e identitária.

Bora Bayraktar, euronews: O BDP, o Partido da Paz e da Democracia, ganhou muitas cidades nas zonas curdas. Como é que avalia este sucesso?

Bekir Ağırdır, Konda Research and Consultancy:

Penso que, o BDP se tornou no principal partido da oposição, em termos locais.

Quer queiramos, quer não, o BDP representa uma alternativa, para o eleitorado.

Ganhou todas as circunscrições dominadas por uma população curda organizada. E tornou-se o principal partido da oposição tendo em conta o número de cidades que ganhou e a visão alternativa que representa.

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