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Minorias religiosas no Iraque: "um mosaico a proteger"

Minorias religiosas no Iraque: "um mosaico a proteger"
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O cardeal Barbarin, arcebispo de Lyon, convidou mais de 800 laicos e religiosos para um convívio de geminação das dioceses de Lyon e Mussul. O patriarca da Igreja Católica Caldeia, Monsenhor Louis-Raphaël Sako pediu o apoio não apenas para os cristãos perseguidos, mas para todas as minorias. O jantar iraquiano foi organizado pelas famílias exiladas em Lyon, nomeadamente a entrevistada:

“As minhas cunhadas foram expulsas, com os filhos, de Batala, e viveram um mês na rua, no passeio, até encontrarem uma solução para ir para Kirkuk, onde tiveram acolhimento.”

De regresso de Erbil, o presidente da Associação Fraternidade no Iraque, alertou os presentes sobre a situação dos refugiados e afirmou que à crise humana se junta a crise sanitária:

Faraj-Benoît Camurat:

“- O maior campo de Erbil, quando chegámos, só tinha quatro duches para 700 famílias, daí o objetivo ser construir rapidamente mais duches pois já havia casos de sarna. A ação humanitária inclui impedir que as famílias vivam em tendas no inverno, com 0°, sujeitas à chuvas que as vão inundar”.

Em agosto passado, 200 cristãos do Iraque refugiaram-se a França. Seis dessas famílias ficaram em Lyon. O sacerdote da paróquia caldeia da cidade recorda o estado de ânimo em que chegaram:

“Estavam desolados e tristes por ter de abandonar tudo, perderam tudo num dia, e o golpe foi mais forte porque sentiram a traição dos vizinhos que marcaram a porta com a letra que os designa como cristãos”.

“Quando chegaram, estavam em estado de choque por virem de mãos vazias, terem sofrido de pânico, terror. O único objetivo era terem paz e tranquilidade. Mas agora é preciso regularizar a situação deles, tratar dos papeis, o que é uma tarefa árdua. Fugiram de um perigo mas têm de enfrentar uma burocracia infernal, administrativa”.

Num ato de grande simbolismo, o arcebispo de Lyon entregou ao Patriarca dos católicos do Iraque, uma cópia das chaves da ambulância oferecida que já está em serviço para os doentes e grávidas do bairro cristão de Erbil.

Louis Raphael Sako é o Patriarca da Igreja Católica Caldeia. Conhecido pela defesa da liberdade religiosa no Iraque, defende uma intervenção terrestre e pede ajuda urgente para as minorias perseguidas no Iraque.
Louis Raphael Sako – Vivo aqui e vejo as pessoas, o seu sofrimento, os seus medos e as suas esperanças. Considero muito importante sensibilizar a opinião pública sobre o destino dos cristãos, mas não apenas dos cristãos, das outras minorias também. A sua existência, presença, é muito importante para toda a população local e para o mundo inteiro, é como um mosaico que é preciso preservar.

Raphaelle, euronews – A ONU denunciou uma chocante diversificação de violações dos direitos do homem no Iraque. Confirma?
LRS- Sim, é verdade. Não há ordem, ou seja, o exército iraquiano só controla metade do país. Não é um exército profissional, mesmo em Bagdad, temos problemas com as milícias, não apenas os cristãos, mas todos. Há raptos e ameaças, também. É necessário ajudar o governo iraquiano a formar um exército profissional que possa proteger todos os cidadãos.

euronews – Barak Obama afirmou que serão necessários, no mínimo, três anos, para regularizar a stuação no Iraque e na Síria. Pensa que o prazo é necessário?
LRS – Os discursos dos chefes políticos devem ser equilibrados e não armadilhados. Primeiro ele diz “não sabíamos, os serviços americanos de informação não mediram a força do grupo armado Estado Islâmico”.
Mas eles têm satélites, controlam tudo. E agora vem afirmar que vai durar três anos. Há, assim, duas mensagens, ou mesmo falsas mensagens. Para o grupo Estado Islâmico: “vocês têm três anos para vos reorganizarem, ganharem mais militantes e também a possibilidade de venderem petróleo”. Para as pessoas deslocadas: “é preciso desenrascarem-se, não podem regressar a casa, imediatamente ou a curto prazo”. Três anos em que as pessoas vão partir, estarão desesperadas, não terão paciência. Era melhor não dizer nada, continuar a bombardear em vez de dizer este género de coisas; desencoraja as pessoas e encoraja o terror do EI.

euronews – Precisamente, diz-se favorável a uma intervenção terrestre…. será essa a solução?
LRS – Hoje, só uma força militar pode terminar com a ação desses militantes. Não apenas com bombardeamentos mas com soldados no terreno, com a ajuda ou colaboração dos exércitos iraquiano e curdo.