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Rosetta na senda da origem da vida

Rosetta na senda da origem da vida
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Neste episódio de Space vamos transportá-lo ao cometa Churyumov-Gerasimenko. O pequeno robô Philae encontrou na superfície do cometa uma espécie de moléculas orgânicas. Estas moléculas são consideradas elementos fundamentais da vida. Mas antes de passarmos a esta história, vamos ficar com algumas notícias do universo”.

Uma nova família de vaivéns espaciais chegou à ESA. A agência assinou um contrato com a Airbus Safran Launchers (ASL), com a agência espacial francesa, CNES e com a ELV, para o desenvolvimento da nova geração do vaivém Ariane 6, que vai funcionar a partir de 2020 e para o Vega C que começa em 2018.

Uma equipa do CERN, em Genebra, está a trabalhar no projeto de desenvolvimento do escudo magnético de proteção das radiações para os astronautas, durante as missões espaciais. Esta tecnologia é igual à utilizada no Acelerador de Partículas.

Chris Hadfield, o astronauta canadiano conhecido pela interpretação do tema de David Bowie, “Space Oddity” lança em outubro um album, intitulado “Space Sessions”. Chris, escreveu, compôs e interpreta os 11 títulos originais do disco. Um trabalho realizado em simultâneo com as funções de comandante da Estação Espacial Internacional, em 2013.

A missão Rosetta está a escrever um novo capítulo na história do conhecimento da origem da vida no universo. As equipas da ESA, que trabalham no projeto estão a preparar a última parte desta magnífica aventura.

O cometa Churyumov-Gerasimenko alcançou recentemente o peri-hélio, o ponto mais próximo do Sol, a 186 milhões de quilómetros, na sua órbita total de seis anos e meio. É um passo científico muito importante, porque a energia solar que aquece o cometa transforma a sua massa de gelo em gases e poeiras. Para se proteger destes jactos poderosos, enquanto percorre a órbita do Sol, a Rosetta foi obrigada a distanciar-se cerca de 300 quilómetros.

“Quando o cometa estiver mais calmo, com menos poeira no coma ( a nuvem de poeiras e gases que o envolvem), isto significa que a órbita pode aproximar-se do cometa outra vez e isto vai aumentar as nossas hipóteses de restabelecer as comunicações com o robô”, explica Stephan Ulamec, o responsável do Centro de Controlo do Philae Lander, em Colónia, na Alemanha.

O robô Philae, que pousou no cometa há 9 meses, comunicou com a Terra pela última vez, através da nave-mãe Rosetta, no dia 9 de julho. Desde aí, a distância da órbita é grande de mais para permitir a comunicação.

“Claro que sonhamos com o momento de restabelecer o contacto e recolher mais dados científicos. Por exemplo imagens que nos permitam ver a diferença no terreno entre novembro passado e o momento após o peri-hélio”.

A equipa responsável pelas comunicações e por enviar as ordens para o Philae está baseada em Colónia. Aqui, todos acreditam que vão ouvir outra vez o sinal vindo do robô. Até 21 de setembro existem ainda algumas janelas de oportunidade para essa ligação e as tentativas sucedem-se, como conta Cinzia Fantani.

“Durante períodos de uma hora e meia a duas horas, duas vezes por dia, tentamos enviar ordens par ao robô e restabelecer o contacto”.

Se o Philae conseguir captar o sinal e ativar os seus instrumentos, os cientistas terão a última oportunidade de efetuar testes importantes.

“Juntamente com a comunidade científica preparámos uma série de sequências que os cientistas querem efetuar uma vez restabelecido o contacto. Tentaremos mesmo sequências mais complexas como tentar fazer perfurações na superfície”.

A missão Rosetta, que começou em 2004, foi alargada mais nove meses, até setembro de 2016. Isto significa que muitos mais dados poderão juntar-se à enorme quantidade já recolhida.

No entanto, a janela de oportunidade para a exploração científica é bastante estreita nos próximos meses, porque o cometa vai estar bastante longe do sol e a luz solar vai diminuir demasiado para recarregar as baterias da Rosetta e do Philae.

Matt Taylor que faz parte da equipa do Centro Europeu de Investigação e tecnologia, sedeado na Suécia explica a coordenação:

“Se nos limitarmos apenas a tentar ouvir o Philae, vamos perder muito do lado científico da órbita da missão. Precisamos de equilíbrio: estar atento ao Philae, mas recolher dados científicos da órbita que é única neste momento. Não poderemos voltar para fazer isto outra vez. Temos que estar no sítio certo, na hora certa, para estas observações”.

A análise levada a cabo pelo Philae, durante a descida para o Chury, fez pensar que os cometas podem encerrar o segredo dos ingredientes necessários à vida.

Stephan Ulamec revela:
“Encontrámos uma variedade de moléculas orgânicas, de química orgânica, que agora terá que ser introduzida nas nossas teorias sobre a origem da vida. Como é que os açúcares, os aminoácidos se formaram na Terra quando este material orgânico, moléculas prébióticas vieram dos cometas para a Terra”

E Matt Taylor acrescenta:
“Sim, temos material orgânico. Mas isto é importante para podermos afirmar que são elementos de base na construção da vida, não são organismos vivos, são coisas que podem ou não contribuir para a criação da vida”.

Entretanto, em Darmstad, na Alemanha, a equipa da ESA que levou a Rosetta ao encontro do cometa há um ano já decidiu como vai terminar a missão orbital e como é que a nave-mãe vai encontrar o seu querido robô e o diretor do voo, Andrea Accomazzo, fala das espetativas:

“Nas últimas semanas da missão tencionamos efetuar uma descida em espiral para a superfície do cometa, esperamos conseguir voar até uma distância curta, digamos 10 quilómetros, onde poderemos ter imagens espetaculares de curta distância e, por fim, fazer a Rosetta pousar, ou aterrar (se quiser) ou cair na superfície do cometa”.

Um ano depois de a Rosetta atingir a órbita de Chury e nove meses após a chegada do Philae ao cometa, a missão não só aumentou profundamente o nosso conhecimento sobre este tipo de corpos astrais, como fez despertar uma grande atenção para a exploração do espaço.

E as emoções são fortes entre os membros das várias equipas que tornaram possível esta aventura no espaço.

Stephan Ulamec:
“É muito emocinante ver o resultado de 20 anos de trabalho, com os resultados que chegam à Terra pelo sinal radio da nave-mãe, Rosetta”

Matt Taylor:
“Para mim, apesar de estarmos aqui há muito tempo, ainda estou empolgado com o fim da missão. Esta é a razão principal para estarmos aqui. Para ver esta revolução completa”.

Andrea Accomazzo:
“A Rosetta tem sido uma das missões espaciais mais fantásticas de sempre. Do ponto de vista científico temos estado a explorar um mundo que nunca tinha sido explorado. Para mim, esta missão despertou muita atenção no mundo inteiro, desencadeou muitas emoções e isso é algo que fica para sempre nos nossos corações”.

E agora vamos até à Astronaut Academy. Hoje vamos falar das consequências da permanência no espaço para a saúde dos astronautas.

“Olá, o meu nome é Volker Damann e sou responsável pelo departamento de medicina espacial. Venha comigo até à sala de controlo onde examinamos a saúde dos astronautos”.

“A fase imediatamente a seguir aos voos dura 21 dias, exatamente três semanas, com um programa muito carregado, onde a intervenção médica tem absoluta prioridade em relação a tudo o resto.
A falta de gravidade, de peso, é agradável, mas não há subidas nem descidas. O músculo do coração não precisa de bombear o sangue para baixo e para cima em direção ao cérebro e, assim como cada músculo do corpo, o músculo do coração também se degrada porque não é muito solicitado.
Quando se regressa à Terra é preciso reaprender porque o cérebro foi reprogramado para a vida sem peso e é preciso reprogramá-lo para viver aqui quando se regressa”.

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