Euronews is no longer accessible on Internet Explorer. This browser is not updated by Microsoft and does not support the last technical evolutions. We encourage you to use another browser, such as Edge, Safari, Google Chrome or Mozilla Firefox.
Última hora

Valdis Dombrovskis: "A Grécia está a pagar menos juros da dívida do que outros países como Itália ou Portugal"

Valdis Dombrovskis: "A Grécia está a pagar menos juros da dívida do que outros países como Itália ou Portugal"
Euronews logo
Tamanho do texto Aa Aa

No ano passado, a Grécia dominou as manchetes dos jornais em todo o mundo. Agora, o governo grego tem nas mãos um terceiro plano de resgate no valor de até 86 mil milhões de euros, que tem um compromisso associado: implementar um pacote de reformas dolorosas e impopulares. Será isto exequível, para um país que atravessa o sexto ano de recessão? Para discutir este assunto, sobre o impacto da crise grega e os grandes desafios para a economia europeia, convidámos o Vice-Presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis.

euronews/ Efi Koutsokosta: Senhor Vice-Presidente tem certeza de que não vamos enfrentar outra crise grega este ano?

Valdis Dombrovskis: Vemos, certamente, a situação do programa grego que está amplamente nos trilhos e, também, a atitude do governo grego mudou há cerca de meio ano. Portanto, temos um acordo sobre um terceiro programa. Conseguimos chegar a acordo sobre dois conjuntos de metas e agora estamos na primeira avaliação do programa e diz respeito, sobretudo, às autoridades gregas. Com que rapidez estão dispostas a colocar em marcha todas as questões que discutimos. A realização dos objetivos orçamentais, a reforma das pensões, o fundo de privatizações, a reforma da administração pública e assim por diante.

e: Falemos sobre a reforma das pensões, que está agora sobre a mesa e é um tema muito difícil, em especial para o governo grego. Ouvimos alguns funcionários da União Europeia a dizerem que este é um plano sério e muito ambicioso do governo grego. Contudo há um MAS. O que significa esse MAS?

VD: De facto, a proposta visa simplificar e unificar o sistema de pensões na Grécia mas agora, durante a revisão do programa, estamos a olhar para todos esses diferentes elementos. Agora estamos ao nível da consulta técnica para ver se este plano garante, também, a sustentabilidade a longo prazo do sistema de pensões na Grécia, e vários outros parâmetros.

e: Acredita que o governo grego precisa de continuar com mais cortes nas pensões?

VD: Eu diria que esse é um assunto para se discutir em separado. Basicamente, é uma questão sobre o que governo grego irá propor para garantir as suas metas fiscais para 2016, 2017, 2018. Sabemos que a preferência do governo grego, no que diz respeito ao sistema social é, por exemplo, aumentar as contribuições para a segurança social. Sobre isto, temos algumas discussões sobre se o aumento da tributação laboral, neste caso, é mais favorável ao crescimento, porque do ponto de vista da Comissão Europeia, não é a melhor medida para aumentar crescimento. Não estamos a dizer que não vamos discutir essas medidas mas estamos, também, dispostos a discutir as alternativas possíveis.

e: Houve um amplo debate sobre a participação do FMI no programa. Como sabemos, o governo grego não queria que participasse neste terceiro programa mas acabou por aceitar. Concorda com a participação do FMI no programa? Porquê?

VD: Na verdade, a participação do FMI no terceiro programa foi prevista já quando estávamos a elaborar o programa. O programa foi elaborado, também, visando uma potencial contribuição financeira do FMI. É com base nessa premissa que a Comissão Europeia está, agora, a trabalhar.

e: A primeira revisão estará concluída quando? Têm existido declarações, ultimamente. Dentro de semanas? Alguns meses?

VD: Do ponto de vista da Comissão Europeia, estamos dispostos a avançar rapidamente e concluir a avaliação o mais rapidamente possível. Mas é claro que não podemos ser mais rápidos do que as autoridades gregas. Então, o que importa para nós é realmente a aplicação do acordo, o progresso prático na implementação. Ou seja, antes do fim dos prazos.

e: Klaus Regling disse que a Grécia vai, mais tarde ou mais cedo, enfrentar alguns problemas de liquidez. Especialmente se a primeira revisão não estiver concluída antes de fevereiro. Que tipo de problemas é que isso poderia causar?

VD: Claro que se a execução da primeira revisão tiver sérios atrasos, e estamos a falar de atrasos de meses e não semanas, em seguida, em certo ponto, pode ser uma questão de saber se o governo grego tem meios financeiros suficientes para fazer face às suas despesas correntes ou se será necessário acrescentar novas parcelas ao programa. É claro que próximas tranches do programa estão relacionados com a primeira avaliação do mesmo.

e: Foquemo-nos, agora, na emissão de dívida. Para quando prevê estas conversações… O iniciar das negociações sobre o alívio da dívida?

VD: As conclusões do Eurogrupo são bem claras ao dizer que podemos voltar à questão das condições da dívida após a conclusão da primeira revisão.

e: Acredita que, após a conclusão da primeira revisão, serão abertas, de imediato, as negociações sobre o alívio da dívida?

VD: As conclusões do Eurogrupo preveem isso. Claro que no final, cabe aos credores, aos outros países da zona euro decidir o que é e não é aceitável, e qual é o melhor caminho a seguir.

e: Acredita que a dívida grega é sustentável?

VD: Provavelmente, esse não é um problema a curto prazo porque a dívida grega está, atualmente, a beneficiar de condições muito favoráveis, com taxas de juros muito baixas, com elevados vencimentos, e também, de um prazo de carência na maior parte das taxas. Por isso, a Grécia está, agora, a pagar menos juros da dívida do que outros países como Itália ou Portugal. Mas é claro que, a longo prazo, sabendo que o nível muito elevado da dívida pública grega é cerca de 180% do PIB, vamos ter de voltar a esse assunto.
e: Pode dizer que este programa e este memorando de entendimento é o último para a Grécia se, naturalmente, for totalmente implementado?

VD: Se for plenamente implementado, isto é realmente implementado e não apenas votado, então poder ser, certamente, o último programa. Na verdade, já vimos a Grécia, no ano passado, a retornar ao crescimento económico e a cumprir as suas metas fiscais, que garantem a criação de emprego… Desculpe não no ano passado, no ano de 2014. Os acontecimentos do ano passado fizeram, infelizmente, a Grécia descarrilar desta trajetória. Se tivesse tido continuidade poderíamos ter tido um crescimento de 2,5%, na Grécia, no ano passado. As estimativas mostram, agora, que não há qualquer crescimento. Os desenvolvimentos políticos tiveram um impacto muito pesado sobre a economia grega.

e: Pediria medidas adicionais no decorrer do programa?

VD: Se o programa se mantiver no bom caminho, é claro, pode haver alguns ajustes técnicos aqui e ali, mas não há necessidade de se rever o memorando.

e: Acredita que o “grexit” já não está em cima da mesa?

VD: Certamente, espero que não. A Comissão Europeia sempre trabalhou com um cenário em mente que era o da Grécia permanecer na zona euro e implementar as reformas necessárias.

e: Há ou não esse risco?

VD: Espero que não.