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Tesoureiro do Vaticano reconhece "erros enormes" na gestão de casos de pedofilia

Tesoureiro do Vaticano reconhece "erros enormes" na gestão de casos de pedofilia
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O cardeal australiano George Pell, tesoureiro do Vaticano, admitiu esta segunda-feira que foram feitos “erros enormes” na gestão dos casos de pedofilia por parte de membros do clero, mas defendeu que as falhas foram individuais e não estruturais.

O antigo chefe da Igreja Católica na Austrália testemunhou, por vídeoconferência desde Roma, perante a comissão que investiga a resposta institucional às denúncias de abusos sexuais de menores no seu país de origem.

Pell frisou que não pretende “defender o indefensável. A Igreja cometeu erros enormes e está a trabalhar para remediá-los; em muitos lugares e, certamente, na Austrália, a Igreja não procedeu bem e desiludiu várias pessoas”.

Os problemas de saúde do ministro da economia do Vaticano, de 74 anos, permitiram-lhe fazer as declarações à distância. Quinze familiares e antigas vítimas de abusos viajaram a Roma para pedir ao Papa e à Igreja Católica “ações reais” para evitar a repetição de casos semelhantes.

David Ridsdale, vítima do próprio tio, o antigo padre Gerald Ridsdale, diz que “houve declarações mais construtivas do que em situações anteriores, mas com um grande cuidado na escolha de palavras. A discussão foi conduzida de uma forma bastante cuidadosa. Descrever, por exemplo, dar beijos a rapazes como excêntrico quando é algo, no mínimo, horripilante”.

Andrew Collins, também vítima de abusos, afirma que “começaram com as questões básicas, ainda não chegaram às importantes”, por isso “não era de esperar grande coisa”.

Pell – que voltará a testemunhar esta terça-feira – sempre negou ter conhecimento dos casos de pedofilia na Austrália e em particular dos crimes cometidos por Ridsdale, condenado por abusar de meia centena de rapazes entre 1960 e 1980.