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Presidente turco diz não respeitar Tribunal Constitucional na libertação de dois jornalistas

Presidente turco diz não respeitar Tribunal Constitucional na libertação de dois jornalistas
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O Presidente turco, Tayyp Erdogan, declarou este fim de semana que não aceita nem respeita a deliberação do Tribunal Constitucional turco que libertou os dois jornalistas do diário da oposição Cumhuriyet, Can Dundar e Erdam Gül, por terem sido violados direitos, depois de uma detenção que durou 92 dias.

"É a primeira vez que um Presidente diz não obedecer a uma decisão do tribunal na história da República turca."

A história publicada reportava o governo turco a carregar um camião de armas para a Síria. À detenção, os jornalistas foram acusados de colaborar com uma organização terrorista e de publicação de material que viola a segurança de Estado.

Erdogan apresentou pessoalmente queixa contra Can Dundar, editor chefe do diário e Erdem Gül, chefe da delegação de Ancara, a capital turca.
O Presidente afirma que o que está em causa não é a liberdade de expressão, mas sim espionagem, pelo que a decisão do tribunal não é, segundo ele, de respeitar.

Em conferência de imprensa, Can Dundar, afirmou que a deliberação do tribunal foi “uma derrota” para Erdogan: “Temos um Presidente que não está habituado à derrota. Em vez de digerir o que aconteceu, tenta tornar isto numa crise de Estado. Disse que não reconhece, nem obedece, à deliberação do tribunal. É a primeira vez que um presidente diz não obedecer a uma decisão do tribunal na história da República turca.”

Can Dundar, apesar de libertado, foi instado a entregar o passaporte. O jornalista responde dizendo que, agora sim, pensa em sair do país e que quer ver o que acontece quando não se cumpre a lei.

O caso suscitou críticas internacionais e também internas, na Turquia, onde houve manifestações frente às instalações do Cumhuriyet aquando da detenção dos dois jornalistas e um seguimento atento do caso.

O julgamento está marcado para 25 de Março. Se a deliberação anterior abria caminho à absolvição, Can Dundar diz agora querer fazer o “processo dos crimes de Estado”, desde a primeira audiência, ante o tribunal que o julgar e ao colega, Urdum Gul, evidenciando assim um braço de ferro entre as instituições judiciárias e o governo.