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Aprender a brincar na China e EUA

Aprender a brincar na China e EUA
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Que espaço devemos reservar para a diversão no ensino pré-escolar? Qual é o papel exato da recreação na aprendizagem? A qualidade do ensino pré-escolar é determinante no percurso das crianças. Mas isso não implica levar tudo a sério. Porque não dar um enquadramento educativo às brincadeiras das crianças? Alguns especialistas consideram que aproveitar os jogos dos mais pequenos permite desenvolver capacidades cognitivas fulcrais para o futuro escolar. Fomos até à China e aos Estados Unidos conhecer dois projetos particularmente dinâmicos.

China: Naturalmente…brincar

A primeira estória chega-nos da China, onde os métodos tradicionais de ensino são muito valorizados. No entanto, vamos conhecer uma abordagem diferente que coloca a recreação no centro da aprendizagem durante a primeira infância.

Neste jardim infantil em Anji as crianças não vêm para ficar em frente a um quadro. Depois do aquecimento, a tarefa é… construir. “Estamos a construir uma loja… É um café: também há chá, pudim e bolos”, dizem-nos duas meninas.

Anji Play from AnjiPlay on Vimeo.

De acordo com o conceito Anji Play, estas crianças, dos 3 aos 6 anos de idade, podem decidir a que querem brincar e com quem. Se, naquele dia, a vontade for pintar um carro… porque não? Cheng Xueqin criou esta abordagem há 15 anos. Hoje em dia, o método é aplicado em 130 escolas na zona de Anji.

“A educação tradicional chinesa consiste no professor a falar para os alunos. Nós devolvemos aos miúdos o direito de brincarem. Damos-lhes a liberdade de saírem cá para fora. As nossas crianças sentem-se felizes e isso é essencial para a vida. É claro que depois também se concentram em certas tarefas. Os jogos exigem isso. É uma capacidade importante para os estudos no futuro”, considera.

Os professores, que frequentaram cursos de formação específicos para analisar o comportamento das crianças, filmam as atividades no recreio. Todos os dias, depois das movimentadas manhãs, segue-se um ponto da situação na sala de aulas. “É bom para que eles desenvolvam a linguagem, porque têm a oportunidade de explicar o que construíram”, afirma Ma Chunjuan, uma das professoras.

A autonomia é outro dos vetores: são os alunos que organizam os seus lugares na cantina e servem a própria comida. Depois chega a altura da sesta, tudo feito com método: bastam 10 minutos para que as 500 crianças deste jardim infantil se metam na cama. O princípio Anji Play está a conquistar adeptos noutras partes da China e até nos Estados Unidos.

EUA: De pequenino se aprende Shakespeare

Fará algum sentido ensinar Shakespeare e xadrez a uma criança de 4 anos? Se estas duas propostas lhe parecem insólitas, vai ficar ainda mais surpreendido com a reportagem que fizemos numa escola singular nos Estados Unidos.

Na cidade que nunca dorme, o tempo parece assumir uma velocidade ainda mais vertiginosa. Daí que alguns pais de Nova Iorque tenham decidido acelerar a educação dos mais pequenos. O filho mais novo de Juliet chama-se Jonas e frequenta uma escola muito especial. Apesar de ainda não ter 4 anos, a mãe já lhe traçou o horizonte.

“Eu espero efetivamente que o meu filho vá para a universidade. Não tem de ser Harvard ou Yale, mas uma universidade que lhe interesse. Quero que ele faça o ensino superior e que a educação que tem neste momento seja o pilar para isso”, declara Juliet Weissman.

Têm apenas 3 ou 4 anos, mas já estão a descobrir o “Romeu e Julieta” de Shakespeare. Não se trata de uma simples atividade com fantoches: estas crianças são preparadas para serem precocemente qualificadas para falar de literatura.

“Há aquele clichê de os alunos torcerem o nariz quando se fala em ir para a universidade e aprender Shakespeare. Mesmo que nunca tenham visto ou lido nada sobre ele, têm uma certa aversão. Se começarmos a fazer ligações mais cedo, eles depois vão lembrar-se que brincaram com as estórias de Shakespeare e divertiram-se a fazê-lo. As estórias que contamos não são exatamente adaptações, são mais inspiradas nos contos originais. E falamos sempre de Shakespeare”, explica-nos o ator e professor David Andrew Laws.

O mesmo se aplica ao xadrez. Tyler Schwartz utiliza contos para explicar este jogo e incentivar os mais novos à descoberta da matemática e da lógica. “Com este método, a literacia das crianças aumenta de 10% a 15%, porque vão descobrindo estórias que não conhecem e que lhes dão acesso a algo que é complexo. Esta técnica chamada ‘Chess at 3’ melhora a memória, a capacidade de cálculo, as funções executivas e, como já disse, a capacidade de ler e escrever”, aponta Schwartz.

É claro que tudo isto tem um preço: 20 mil dólares por ano, o dobro das escolas públicas americanas.