A Rússia realizou um ataque massivo com drones em Zaporíjia durante a madrugada de sexta-feira, atingindo dezenas de edifícios, mas sem causar vítimas. A Ucrânia intercetou a maioria dos drones.
A Rússia levou a cabo o que as autoridades locais apelidaram de "um dos mais massivos" ataques de drones contra Zaporíjia, durante a noite de sexta-feira, continuando os seus ataques às infraestruturas civis e energéticas da Ucrânia na sua guerra total, que se aproxima agora da marca dos quatro anos.
Pelo menos nove drones russos atingiram a cidade, danificando dezenas de edifícios residenciais e outras infraestruturas civis, escreveu o chefe da administração regional, Ivan Fedorov, no Telegram, na sexta-feira. Não houve vítimas, segundo o funcionário.
No total, a Rússia disparou 116 drones de longo alcance contra a Ucrânia na noite passada, de acordo com a Força Aérea da Ucrânia, que disse que 86 drones foram intercetados, enquanto outros 27 atingiram os alvos.
Na véspera, no dia de Ano Novo, o Kremlin lançou mais de 200 ataques de drones para "levar a guerra para o Ano Novo", referiu o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, apelando a mais apoio para garantir que o seu país está equipado para continuar a defender-se a si próprio e ao seu povo.
"As mortes têm de parar — não pode haver pausas na proteção da vida humana. Se os ataques não pararem nem mesmo durante as férias de Ano Novo, então as entregas de defesa aérea não podem ser adiadas. Os nossos aliados têm o escasso equipamento necessário."
Zelenskyy anunciou na sexta-feira que uma série de reuniões, incluindo conversações ao mais alto nível da "Coligação de Boa Vontade", estão marcadas para os próximos dias, numa altura em que a Europa procura reforçar as defesas da Ucrânia contra os ataques russos e discutir a estratégia nas conversações de paz em curso.
"No dia 6 de janeiro, terá lugar uma reunião a nível de líderes - líderes europeus e líderes da 'Coligação de Boa Vontade'", informou o presidente ucraniano.
"Estamos a preparar-nos agora para garantir que a reunião seja produtiva, que o apoio aumente e que haja uma maior confiança política tanto nas garantias de segurança como no acordo de paz. Agradeço a todos os que nos estão a ajudar."
Moscovo prossegue com as acusações
Entretanto, o exército ucraniano afirmou, na sexta-feira, que apenas atingiu "alvos militares", um dia depois de a Rússia ter acusado Kiev de ter alegadamente disparado drones contra um hotel e um café no sul ocupado da Ucrânia, matando 27 pessoas.
Em declarações à AFP, o porta-voz do exército ucraniano, Dmytro Lykhoviy, acusou a Rússia de recorrer repetidamente à "desinformação e a falsas declarações".
"As Forças de Defesa da Ucrânia respeitam as normas do direito internacional humanitário e atacam exclusivamente alvos militares inimigos", afirmou.
Os serviços secretos ucranianos afirmaram em comunicado, na sexta-feira, que a Rússia estava a preparar uma "provocação em grande escala com vítimas humanas", sem fornecer provas imediatas.
As acusações surgiram logo após o presidente russo, Vladimir Putin, o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, e outros responsáveis do Kremlin terem afirmado que a posição de Moscovo iria endurecer na sequência do alegado ataque de um drone ucraniano à residência de Putin durante a noite de segunda-feira.
A Rússia começou por rejeitar a apresentação de provas adicionais, mas depois divulgou um vídeo que alegadamente mostrava um dos drones que tinha como alvo a habitação de Putin.
No entanto, não foram apresentadas provas que confirmem que o alegado ataque com drones ocorreu perto da residência de Putin. A Euronews não conseguiu verificar de forma independente a autenticidade das imagens ou o local onde foram filmadas.
Kiev rejeitou as alegações como sendo fabricadas e avisou que fazem parte das tentativas de Moscovo para fazer descarrilar os esforços liderados pelos EUA para chegar a um acordo de paz nas últimas semanas.
Altos funcionários da UE e dos EUA ecoaram essa mensagem, com a chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, a acusar a Rússia de promover "alegações infundadas", classificando a acusação como uma "distração deliberada".
O embaixador dos EUA na NATO, Matthew Whitaker, também lançou dúvidas sobre as alegações da Rússia, afirmando que gostaria de consultar as informações dos serviços secretos dos EUA.
"Não é claro se isso realmente aconteceu", disse Whitaker numa entrevista à Fox Business.
A CIA também avaliou que a Ucrânia não teve como alvo a residência do presidente russo num relatório entregue ao presidente dos EUA, Donald Trump, segundo revelado por funcionários aos meios de comunicação dos EUA.