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Emirados Árabes Unidos: "Estas medidas foram uma escolha do Qatar"

Emirados Árabes Unidos: "Estas medidas foram uma escolha do Qatar"
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Noura Al Kaabi é a ministra de Estado do Conselho Nacional Federal dos Emirados Árabes Unidos. A Euronews entrevistou-a acerca da decisão de vários países árabes de cortarem relações diplomáticas com o Qatar. A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Egito e o Barém tomaram uma série de medidas coordenadas para isolarem diplomática e fisicamente o pequeno, mas rico Estado do Golfo.

Euronews: O Conselho de Cooperação do Golfo está prestes a explodir? Ou pode resolver-se? Devemos esperar mais reações?

Ministra: As reações ou a escalada no que respeita à crise com o Qatar foram-se acumulando ao longo dos últimos 20 anos e houve uma série de temas relacionados com a política desse Estado que nós, enquanto Governo, fomos abordando em várias reuniões e em muitas ocasiões. Em 2014, houve um compromisso do Qatar, que foi assinado durante a época do Rei Abdullah da Arábia Saudita. Foram assumidos compromissos que incluem condições que não foram cumpridas.

E: Como, por exemplo?

Ministra: Parar de se intrometer e de interferir com os países da região, nos seus assuntos, de financiar organizações terroristas, extremistas… O Qatar é um porto seguro para extremistas e para a Irmandade Muçulmana. E tem uma plataforma mediática que funciona como porta-voz dos radicais. Pessoas como Karadawi, que é o pai espiritual da Irmandade Muçulmana, têm mais sangue nas mãos do que um bombista suicida. Ter esse porta-voz mina a estabilidade e a segurança na região.

E: Abu Dhabi e Riade têm tentado criar o núcleo da chamada aliança militar islâmica?

Ministra: Os Emirados Árabes Unidos e a liderança da Arábia Saudita, do Egito e do Barém têm uma visão que consiste basicamente em assegurar que temos políticas claras que garantem a estabilidade e a prosperidade desta região. Este é um objetivo comum. Não podemos prosperar económica e socialmente no meio desta região, com o que está a acontecer à nossa volta. Eu acredito que depois da cimeira de Riade houve um acordo sobre que país é que apoia o terrorismo e é o Irão. O Governo do Qatar recusou-se a identificar isto, recusando que o Irão é a fonte de terror nesta região.
Estas medidas contra o Governo do Qatar foram uma escolha do Qatar. Eles podem escolher entre seguir as condições existentes depois da cimeira de Riade e o acordo de 2014, assegurando que executam ações. Além disso, o Governo do Qatar precisa de conquistar a nossa confiança outra vez.

E: Senão?

Ministra: Senão é o Qatar que escolhe ficar isolado. Acredito que com os mais recentes passos em termos de isolamento e em termos de sanções económicas, queremos mandar uma mensagem ao Governo do Qatar: temos estado à espera nos últimos 20 anos e sobretudo desde 2014. A bola está do lado deles, para ver se eles têm uma visão do que vem a seguir.
Será que eles têm a visão de garantir estabilidade e uma economia próspera, ganhando ao mesmo tempo a confiança dos países à volta deles? Isto é algo que eles querem alcançar a longo prazo? Se for algo que eles querem, pedimos-lhes que reflitam sobre as suas ações mais recentes em termos de minar a segurança desta região e no que irá acontecer no seu país se aumentarem as sanções. Acho que a consequência é algo que não queremos ver, sobretudo não queremos que a população do Qatar sofra com isso.