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O que faz a UE para ajudar os refugiados sírios na Turquia?

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De  Euronews
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O que faz a UE para ajudar os refugiados sírios na Turquia?

Os seis anos de guerra civil na Síria já fizeram mais de 460 mil mortos. Os civis representam um quarto das vítimas. Calcula-se que haja 5,5 milhões de refugiados sírios no mundo inteiro. Mais de3 milhões encontram-se na Turquia, o país que mais refugiados acolhe a nível global. Quais são as ajudas da União Europeia?

Sanliurfa é uma cidade com dois milhões de habitantes no sudeste da Turquia. É um dos principais pontos de acolhimento de sírios nesta região. Estima-se que um quarto da população local tenha fugido do país vizinho.

Fomos ao encontro de Fadi Yusuf Allavi, que vem de Raqqa e chegou a Sanliurfa há dois anos. “Antes da guerra, tinha uma vida normal na Síria. Trabalhava como taxista. Vivia com a minha família. Mas depois comecei a ver bombardeamentos, ataques aéreos. Ninguém pode aguentar aquilo. Decidi vir para a Turquia”, conta-nos.

Fadi utiliza um cartão de débito fornecido pelo projeto da Rede de Segurança de Emergência Social, um programa europeu que dá apoio a quase um milhão de refugiados neste país. Trata-se do mais vasto projeto que o Gabinete de Ajuda Humanitária da União Europeia já criou.

“Dão-me à volta de 200 euros. Tenho 5 filhos. Recebo 28 euros por familiar. Uso o dinheiro para pagar a renda, para comprar chá, açúcar, óleo, carne, pão… tudo aquilo que precisamos”, diz-nos Fadi.

Ao contrário doutros programas de assistência, o utilizador pode escolher onde gasta o dinheiro. “Levantei mais de 20 euros. Prefiro ir gerindo o dinheiro que tenho na mão para saber exatamente quanto gasto no supermercado. Este montante dura-me quase uma semana”, revela Fadi.

Os cidadãos sírios não são oficialmente considerados como refugiados na Turquia. É-lhes atribuído um estatuto de proteção temporária, com direitos limitados e um acesso ao mercado de trabalho condicionado. Mesmo assim, poucos são os que vivem exclusivamente das ajudas.

90% dos refugiados na Turquia não vivem em campos, mas sim nas cidades. É o facto de terem uma morada, mesmo que seja a mais precária das habitações, que lhes dá acesso a vários tipos de assistência.

Suriyye Juneid tem 7 filhos. Vive numa antiga loja abandonada, agora transformada em residência. O cartão ajuda-a a pagar a luz, a alimentação e os 20 euros de renda mensal. “Antes de receber o cartão tinha de trabalhar na apanha de algodão. Agora posso ficar a tratar dos meus filhos”, afirma.

É o Programa Alimentar Mundial da ONU e os seus parceiros que implementam este projeto europeu no terreno. Parte do trabalho consiste em monitorizar as famílias para apurar se ainda necessitam do cartão e de que forma é utilizado o dinheiro.

“É importante recolher os dados para corrigir eventuais erros, mas também para obter mais informações de forma a adaptar o programa às necessidades”, declara Martin Penner, do Programa Alimentar Mundial.

O programa europeu pretende alcançar 1,3 milhão de refugiados até ao final do ano. A implementação é feita com a ajuda do Crescente Vermelho e do governo turco. Mathias Eick, do Gabinete de Ajuda Humanitária da UE, salienta que “o projeto reúne os princípios humanitários com a eficácia de estruturas públicas já existentes. Isso permitiu-nos alcançar rapidamente uma dimensão tão grande. O cartão é uma plataforma para diferentes tipos de ajuda. Podemos fornecer apoio financeiro para ajudar as crianças a irem à escola, por exemplo. É um projeto que rompe com os moldes tradicionais do apoio humanitário”.

Fadi faz parte dos cerca de 30% de refugiados sírios que recebem algum tipo de ajudas sociais na Turquia.

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