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Cancelado o projeto do "aeroporto da discórdia" em Nantes

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Cancelado o projeto do "aeroporto da discórdia" em Nantes

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O Governo francês abandonou um porjeto de construção de mais um aeroporto para voos internacionais, apesar dos pareceres favoráveis na Justiça.

O projeto estava previsto para a localidade de Notre-Dame-des-Landes, na região de Pays de la Loire (sudoeste).

O primeiro-ministro Edouard Philippe explicou aos jornalistas que "as condições não eram as necessárias para levar a cabo o projeto de Notre-Dame-des-Landes", que acabou por tornar-se, defendeu Philippe, no "aeroporto da discórdia."

Poder local rejeita decisão

A reação do poder local não se fez esperar. Johanna Rolland, presidente da Câmara Municipal de Nantes acusou o Governo de "traição" e de "negação de direitos democráticos."

O presidente do Conselho Regional do departamento de Loire-Atlantique, onde fica situada Notre-Dame-des-Landes, disse que o presidente Emmanuel Macron tinha prometido que autorizaria o projeto e que "faltou à palavra."

Tomada a decisão, Governo francês diz que opta por reformar o aeroporto Nantes-Atlantique, num processo que passa pelo aumento do comprimento da pista.

De resto, a notícia deixou os que rejeitavam projeto bastantes satisfeitos. O presidente de uma associação que se opunha à construção do aeroporto disse à imprensa francesa que "era um dia de uma imensa alegria". As plataformas de protesto recusavam, acima de tudo, as expulsões dos que se encontravam instalados na região, mesmo daqueles que o tinham feito de forma ilegal.

Seis décadas de um projeto eterno

O projeto do aeroporto conhecido como do "Grande Oeste" nasceu nos anos 60 e voltou a marcar a atualidade política francesa no ano 2000, para vir a tornar-se num dos símbolos dos problemas da gestão Hollande, assim como o mais importante dos conflitos ambientais do país.

Os defensores do projeto argumentavam que o aeroporto iria assegurar o desenvolvimento do tráfego aéreo na região de Nantes, um das aglomerações urbanas com maior taxa de crescimento dos últimos anos.

Os detratores do projeto diziam que era um dos "grandes projetos inúteis" do país e em contradição com os objetivos de França relativamente à emissão de gases de efeitos de estufa.

Resta agora saber quando será indemnizada a companhia que ficaria a cargo do projeto, a Vinci. De acordo com o relatório entregue ao primeiro-ministro francês, o Estado poderia ter de pagar até 350 milhões de euros à empresa.