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Shahenda "Collina", a mulher do apito

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De  Ricardo Figueira
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Shahenda "Collina", a mulher do apito

Mais uma tarde na cidade portuária de Alexandria, no Egito. Hoje, como noutros dias, há futebol. Mas este jogo tem uma particularidade. Ela é a mulher do apito. Mesmo se muitos reclamam por um amarelo, ou por uma falta mal marcada, muito dificilmente algum jogador lhe vai chamar nomes feios - afinal de contas, isso não se faz a uma senhora. Mesmo assim, numa sociedade machista, o trabalho não é fácil para **Shahenda El Maghrabi, a primeira mulher a apitar jogos na liga profissional masculina **de futebol, no Egito.

"Uma vez, os jogadores não aceitavam que uma mulher estivesse a apitar o jogo, sobretudo nos primeiros 15 minutos. Um jogador fez falta, eu adverti-o e ele ficou furioso. Virou a cabeça e cuspiu. Disse-lhe que não dissesse mais nenhuma palavra, ou nunca mais voltaria a jogar. Mostrei-lhe o cartão vermelho e ele ficou sem palavras. O treinador falou com ele e depois do jogo veio falar comigo, pediu desculpa pelo jogador e prometeu que seria castigado", conta a árbitra.

Mesmo se alguns têm dificuldade em aceitar a autoridade de uma mulher em campo, nem todos pensam assim: "Não há discriminação entre homens e mulheres. É uma excelente árbitra e está a ser justa para ambas as equipas, não tem medo de castigar os jogadores de uma e de outra", diz um adepto.

Com determinação, talvez Shahenda "Collina", como é chamada em homenagem ao italiano Pierluigi Collina, um dos árbitros mais famosos de sempre, venha um dia a cumprir o sonho de apitar jogos do Campeonato Mundial.