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Sobrevivente lembra tragédia do rio Evros

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Sobrevivente lembra tragédia do rio Evros

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Ele é o sobrevivente da tragédia do rio Evros. Fatih Yasar reza pelas três crianças e respetivos pais que, a 13 de fevereiro, perderam a vida nas águas geladas do rio que é uma fronteira natural entre a Grécia e a Turquia.

Casado e pai de um menino de 2 anos, o estudante de pós-graduação e empresário, depois da tentativa de golpe na Turquia foi acusado de Gulenista e ficou preso durante 14 meses. Foi libertado em novembro e acabou por decidir fugir do país.

Naquela noite de fevereiro, seguindo as indicações de contrabandistas, nove pessoas, sem colete salva-vidas, entraram num pequeno barco insuflável. Queriam fugir da Turquia e de Erdogan. A poucos metros da margem grega, o barco virou-se.

"Tudo aconteceu muito rapidamente. Nem percebi o que se estava a passar. Quando caímos à água, estava tão frio que parecia que me espetavam flechas no coração. Não me conseguia mexer. A água fria era insuportável. Até engoli água algumas vezes. Quando o barco se estava a afundar, só ouvi uma voz a gritar "Oh meu Deus". ", revelou Fatih Yasar.

A luta para salvar vidas tinha começado. A corrente forte arrastava-os. Com uma mão Fatih consegue agarrar-se a um ramo enquanto, com a outra, pega a mão de alguém.

"Eu estava a chorar. Continuava a pensar que não era capaz de salvar a vida das crianças. Essas crianças podiam ser o meu filho. Momentos atrás estávamos todos juntos e eu tinha uma das crianças nos meus ombros. Mas... e agora?", relembra Fatih Yasar.

As buscas realizadas pelas autoridades turcas permitiram recuperar três corpos, entre os quais os de duas crianças de 11 e 3 anos. Quatro pessoas continuam desaparecidas.

"Estas viagens trazem inúmeros perigos mas não há alternativa para estas pessoas. No seu país, foram estigmatizados como Gullenistas e para eles não há futuro lá. Os turcos anti-Erdogan, que conseguiram fugir, temem pela segurança das famílias que deixaram na Turquia," acrescenta o jornalista da Euronews, Michalis Arampatzoglou.