Última hora

Última hora

Dois irmãos "presos" em Ghouta Oriental lançam SOS ao mundo

Em leitura:

Dois irmãos "presos" em Ghouta Oriental lançam SOS ao mundo

Alaa, a irmã de Noor, ferida após um bombardeamento (vídeo no Twitter)
Tamanho do texto Aa Aa

Por entre raides aéreos, destroços, sangue derramado, morte e, algures lá longe, políticos sentados a negociar o destino dele, chega-nos o apelo de Noor, uma criança de 10 anos, residente em Ghouta Oriental, sentado ao lado da irmã mais nova, Alaa.

"Olá a todos. Somos crianças da cidade sitiada de Ghouta. Queremos que o mundo nos escute. Há já sete anos que temos estado sitiados. Fomos privados de brincar, de comida, de medicamentos, de água.

Não podemos ir às aulas porque os aviões de guerra bombardearam a nossa escola", afirmou este residente ainda infantil de Ghouta Oriental.

Noor vive com a mãe e a irmã, Alaa. Como muitas outras famílias nesta fortaleza rebelde nos arredores de Damasco, eles vivem em subterrâneos.

Por vezes, a vida desta família até parece normal... até ao bombardeamento seguinte.

Num vídeo publicado no Twitter, é possível ver Alaa, a "mana" de Noor, ferida.

Eles têm documentado o que se passa em Ghouta oriental para tentar mostrar ao mundo como é a vida neste "inferno na Terra", como o descreveu há dias António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas.

Os telefonemas da Euronews para fontes no terreno, como aconteceu quando tentávamos falar com o doutor Bassam Bakri, são muitas vezes interrompidas pelo barulho das bombas a cair.

O conselho de Segurança da ONU aprovou sábado, por unanimidade, um cessar-fogo de trinta dias.

A Rússia ordenou à Síria umas tréguas de cinco horas diárias em Ghouta Oriental, a partir desta terça-feira, para permitir o resgate de civis e feridos através de um corredor de evacuação deste enclave rebelde.

Sem sucesso.

Perante a incerteza neste "inferno" às portas de damasco, há quem prefira ficar. Como os médicos e as equipas de resgate. Indiferentes às anunciadas tréguas como que adivinhando que não seriam respeitadas.

Amani Ballour é uma das médicas que se mantém em Ghouta Oriental. Conta-nos haver feridos no hospital em que trabalha e "mortos desde manhã cedo". "Nós queremos é ações. Não precisamos de mais palavras. Estamos à espera das ações", reclama.