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"A Rússia não teme nada", diz Chizhov sobre sanções no caso Skripal

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"A Rússia não teme nada", diz Chizhov sobre sanções no caso Skripal

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O envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal e da sua filha na cidade britânica de Salisbury pode afetar seriamente as relações da Rússia com a Grã-Bretanha e a União Europeia. Para debater o tema, o correspondente da euronews em Bruxelas, Andrei Beketov, entrevistou o representante permanente da Rússia para a União Europeia, Vladimir Chizhov.

"Este não é o primeiro caso de mortes estranhas no Reino Unido"

Vladimir Chizhov Embaixador da Rússia para a União Europeia

euronews: Alega-se que foi usado no território da União Europeia um o gás de nervos de origem russa.

Vladimir Chizhov: Desculpe, mas saber de que território veio este veneno não está claro e o governo russo não recebeu dados objetivos sobre isso, apesar de os ter solicitado, desde o primeiro dia, ao governo britânico.

euronews: Não vamos fugir ao assunto. O envenenamento foi levado a cabo por um agente russo. A Grã-Bretanha teve de reagir porque, neste caso concreto, uma arma de destruição em massa foi utilizada no território britânico.

RTR/via Reuters
Sergei Skripal detido na RússiaRTR/via Reuters

Vladimir Chizhov: Este não é o primeiro caso de morte estranha de imigrantes russos, de cidadãos russos e de cidadãos britânicos em território britânico. Aparentemente, esse é o tipo de ambiente que por lá se vive....

euronews: Mas a polícia da Scotland Yard forneceu provas e um tribunal condenou um cidadão russo por participar na tentativa de homicídio de outro espião, Alexander Litvinenko.

Vladimir Chizhov: Lembro-me bem desse caso, não foi há muito tempo. Foi aberta uma investigação, mas assim que a Rússia se ofereceu para ajudar nessa investigação, o caso foi imediatamente classificado como secreto. Quais as provas que o tribunal britânico validou para chegar ao veredicto é algo que não conhecemos. Assim como não sabemos o resultado da investigação sobre a morte, também muito estranha, de Boris Berezovsky, bem como Alexander Perepilichny, que saiu para uma corrida matinal e morreu inesperadamente. Mais recentemente, também em circunstâncias estranhas, morreu um dos cúmplices de Berezovsky no caso Aeroflot, Nikolay Glushkov. Tudo no território britânico. Esta realidade é que talvez devesse ser analisada pela justiça britânica.

euronews: Pode ler-se nas suas palavras uma maior pressão sobre o Reino Unido, país que está de saída União Europeia e que, com essa decisão, causa o enfraquecimento do país e da própria União Europeia?

Vladimir Chizhov: Espero que a situação atual não me torne num firme defensor de um Brexit duro! Até o Brexit estar concluído, quaisquer sanções económicas que o lado britânico queira impor têm de ter o apoio da União Europeia. Isso também se aplica a outro tipo de medidas que as autoridades britânicas possam estar a ponderar contra a Rússia.

euronews: Os EUA poderiam sair em defesa da Grã-Bretannha. O secretário de Estado, Rex Tillerson, deixou o cargo. Tinha uma posição mais dura em relação à Rússia do que outros membros da administração norte-americana no que toca ao caso Skripal. Sentiu alívio com a partida deste falcão?

Vladimir Chizhov: Eu ainda não acredito que ele tenha perdido o lugar do secretário de Estado por causa deste episódio. E não tenho motivos para esperar uma abordagem mais suave por parte do seu sucessor".

euronews: Voltemos ao Reino Unido que, com certeza, vai aplicar algum tipo de sanções. Tem receio disso?

Vladimir Chizhov: A Rússia não teme nada. Lamentamos, sim. Lamento o debate que aconteceu no Parlamento britânico, as declarações oficiais que vão sendo feitas, em vez de se tentar resolver esta situação, em vez de se convidar a Rússia para a investigação.

euronews: Nos últimos anos, foram feitas acusações contra a Rússia em várias áreas a nível internacional que vão desde doping no desporto até seja interferência nas eleições, passando pela anexação de território estrangeiro ...

Vladimir Chizhov: E até acusam a Rússia de ter organizado o referendo sobre o Brexit!

euronews: Sim, algumas pessoas suspeitam de interferência nesse caso, bem como no do referendo sobre a independência da Escócia. São várias acusações que se acumularam e que tornaram agora mais fácil acusar a Rússia neste caso particular.

Vladimir Chizhov: E o desembarque de Guilherme, o Conquistador, em 1066, também foi planeado pelo Kremlin?

euronews: O que a Rússia pode fazer para evitar essa situação?

Vladimir Chizhov: O caminho é muito simples, é o da cooperação na luta contra os nossos inimigos comuns: o terrorismo internacional e o crime transnacional.