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"Teatro Livre da Bielorrússia" atua na semiclandestinidade

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"Teatro Livre da Bielorrússia" atua na semiclandestinidade

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Antes de cada representação, os fundadores do "Teatro Livre da Bielorrússia", exilados em Londres, conectam-se pelo skype com o público. Em cartaz esta noite, House number 5, uma peça sobre a deficiência.

Entre os comediantes há Sasha Chichikova, eleita primeira miss mundo em cadeira de rodas, no ano passado, em Varsóvia.

"A minha ideia é mudar o olhar das pessoas face a quem está numa cadeira de rodas, às pessoas com deficiência em geral, sobretudo as mulheres", explica Alexandra Chichikova.

Sexualidade, problemas sociais, repressão política... não há temas tabu nas peças do "Teatro Livre da Bielorrússia".

"Somos políticos, contundentes e críticos em relação a tudo o que se passa aqui... e as autoridades não gostam disso", afirma o ator e jornalista Kyril Kalbasnikau.

A companhia de teatro não cobra bilhetes. Vive de donativos. A única maneira de escapar à censura exercida sobre os teatros oficiais.

"Há comissões que analisam as peças... se há cenas de nudez, linguagem forte, etc... Nos nossos teatros estatais, vive-se como numa realidade paralela, em que não há uma linguagem forte... Não há nada! Tudo é lindo! Tchekov, Shakespeare, etc. Não queremos ser parte deste jogo, ser um teatro de entertenimento. Queremos ser um teatro criativo, que faça as pessoas pensarem sobre o que as rodeia", explica Pavel Gorodnitskij.

Alguns dias mais tarde, alguns membros do elenco saem da sombra. A sua performance abre as celebrações oficiais do 100° aniversário da proclamação da República Popular da Bielorrússia.

Mesmo se os atores, como outros concidadãos, não têm ilusões sobre as realidades políticas de um país onde as liberdades estão mais do que restritas.

"É a primeira vez que o Teatro Livre da Bielorrússia pode atuar num evento desta dimensão e não fomos censurados. É na verdade um novo passo na vida política. Talvez seja demasiado cedo para dizê-lo. Pessoalmente, não quero criar uma família aqui, porque ainda não temos uma sociedade progressiva. É uma coisa triste, mas eu estou a trabalhar para mudar isto", realça Kalbasnikau.

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