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EUA saem do acordo nuclear e o mundo reage

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EUA saem do acordo nuclear e o mundo reage

Donald Trump tem vindo a distanciar-se cada vez mais de Hassan Rouhani
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Donald Trump anunciou há minutos, a partir da Casa Branca, que irá retirar os EUA do acordo nuclear com o Irão.

No discurso, o presidente norte-americano admitiu que a decisão "tornará o país melhor".

Robert Malley, antigo negociador da Casa Branca para o acordo com o Irão, considera que "é pouco provável que não abandone o acordo, tendo em conta tudo o que disse até agora, tendo em conta todas as tentativas falhadas de o convencer do contrário. Dito isto, o nome do meio do presidente Trump é imprevisível, ninguém sabe o que fará.

Mas em alguns aspectos, os dados estão lançados, mesmo que se retire agora ou mantenha a incerteza, os benefícios que o Irão queria obter do acordo estão basicamente evaporar-se. Será muito difícil manter o acordo vivo, a menos que a Europa faça algo de significativo, mesmo que o presidente Trump decida esta semana: 'Vou dar mais três meses para que se faça algo."

A diplomacia, tanto da União Europeia, como líderes como Merkel e Macron, pode então ganhar um papel ainda mais preponderante nestas negociações, seja qual for a decisão de Donald Trump.Robert Malley acredita que "mesmo que o Presidente Trump decida "vou dar à Europa mais três meses para que consigam um acordo melhor", sabemos que não vão conseguir encontrar um acordo melhor. Não se consegue um melhor acordo de forma unilateral. Ou seja, vão ser apenas mais três meses de incerteza. A questão agora é saber se a parte americana do acordo morre de uma só vez esta semana ou se morre aos poucos".

Malley afirma ainda que "em ambos os casos, a responsabilidade vai recair na Europa, que deve convencer os iranianos de que ainda há coisas para negociar, se o presidente Trump desistir ou se adiar a decisão mais uma vez. A Europa vai ter de convencer o Irão de que se pode negociar. Vão tentar dar benefícios económicos, mas também vão ser mais duros noutros aspectos. Acho que é uma conversa justa para se ter com o Irão ".

Recorde-se que o acordo assinado em 2015 prevê um retrocesso do programa nuclear em troca do levantamento das sanções internacionais. O acordo nuclear com o Irão foi concluído em Viena entre Teerão e o Grupo 5+1 (China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e Alemanha), antes da chegada à Casa Branca de Donald Trump.

Se os EUA saírem do acordo nuclear, passam assim a ser o único país do conselho permanente de segurança da ONU a não fazer parte do acordo.