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O acordo, os Infiltrados e outras reivindicações da greve dos "caminhoneiros"

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O acordo, os Infiltrados e outras reivindicações da greve dos "caminhoneiros"

O acordo, os Infiltrados e outras reivindicações da greve dos "caminhoneiros"
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O acordo entre Governo e Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM), alcançado domingo, levou a um apelo na segunda-feira à noite à desmobilização do protesto. Mas novas reivindicações locais e motivações políticas ameaçam manter o protesto nas estradas.

Com o Brasil já "em seca severa" em setores como o da alimentação ou o dos combustíveis, e em diversas regiões do país, muitos camionistas resistem e mantêm os bloqueios em várias rodovias neste nono dia de greve, mantendo reféns cerca de 40 por cento dos 1283 postos de combustível inicialmene obstruídos pela paralisação.

Alguns postos de combustível nas capitais "estaduais" começam, no entanto, já a ser reabastecidos. Os camiões a cumprir o serviço estão a receber escolta policial em estados como o Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Paraíba, além do Distrito Federal, cuja capital é Brasília.

Uma operação envolvendo militares, agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e polícias militares foi implementada na madrugada desta terça-feira para escoltar 300 camiões de transporte de alimentos perecíveis em trânsito da serra fluminense para a cidade carioca.

Na última semana, o principal mercado abastecedor do Rio, a Ceasa de Irajá, foi bastante afetado pela paralisação, os negócios locais ressentiram-se e houve uma subida acentuada nos preços. Cerca de 90 por cento das lojas do Ceasa nem abriram portas devido à falta de alimentos.

A escassezs de combustíveis em Belo Horizonte levou mesmo Sassá, futebolista do Cruzeiro, a oferecer duas camisolas do clube em troca de 10 litros de gasolina porque o avançado precisava de ir treinar.

Os infiltrados

A PRF deverá entretanto avançar para a detenção de alguns dos líderes regionais do movimento que insistem na paralisação dos camionistas. As autoridades contam com alguns agentes infiltrados para identificar os instigadores, avançam os meios de comunicação brasileiros.

O presidente da ABCAM denunciou domingo à noite a existência de outros infiltrados no protesto, estes apelidados de "intervencionistas" que estariam a impedir o fim da greve e cujo único objetivo é derrubar o governo em nome dos camionistas".

"As pessoas que querem voltar ao trabalho têm medo porque estão sendo ameaçadas de forma violenta", acrescenta José da Fonseca Lopes.

O líder da associação sublinhou que o acordo fechado domingo à noite entre os líderes dos camionistas e o governo "atendeu plenamente às reivindicações da categoria."

"A Abcam considera o acordo assinado como uma vitória, já que o acordo anterior previa uma redução de apenas 10% por apenas 30 dias. Entretanto, a Associação acredita que até dezembro deste ano o Governo encontre soluções para que a redução seja permanente", concretizou a ABCAM em comunicado.

Reivindicações atendidas pelo governo

  • Redução até 31/12/18 de R$0,46 (€0,10) no preço diesel;
  • Congelamento dos preços do diesel por 60 dias;
  • Após os 60 dias, os reajustes no valor acontecerão a cada 30 dias, o que permitirá alguma previsibilidade do transportador para cobrança do valor do frete;
  • Extinção da cobrança de "pedágio" por eixo suspenso em rodovias federais, estaduais e municipais;
  • Tabela mínima de frete;
  • Determinação para que 30% dos fretes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sejam feitos por camionistas autónomos.

Presidente ameaça resistentes

Michel Temer voltou a falar dos protestos dos camionistas esta terça-feira de manhã, na abertura do Fórum de Investimentos Brasil 2018, e São Pulo, e deixou um aviso aos manifestantes que continuam a resistir ao fim do protesto dos camionistas.

"O diálogo é da própria essência da política e da democracia. É, aliás, a sua fortaleza. Quando alguns rejeitam o diálogo e tentam parar o Brasil, exercemos a autoridade para preservar a ordem e os direitos da população, mas antes disso, um diálogo é fundamental, leve quanto tempo levar", afirmou o presidente do Brasil.

Na véspera, Temer tinha perspetivado o fim da greve dos camionistas para esta terça-feira, na sequência do acordo alcançado domingo entre o governo e os representantes dos camionistas.

Pelas redes sociais, o presidente brasileiro destacou as cedências aos camionistas.

Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil, sublinhou que "tudo o que foi prometido aos camionistas, aos líderes e representantes dos camionistas e às reclamações nas redes sociais foi atendido" pelo governo.

"Agora esperamos que os camionistas também cumpram com a sua parte, retomem a atividade e possam garantir o abastecimento das famílias brasileiras", disse Padilha.