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Turquia: Bruxelas deseja manter diálogo com Erdogan

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Turquia: Bruxelas deseja manter diálogo com Erdogan

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REUTERS/Alkis Konstantinidis
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A vitória do presidente Recep Tayyip Erdoğan nas eleições presidenciais e legislativas, domingo, na Turquia, foi comentada pela Comissão Europeia com o habitual convite para manter o diálogo aberto.

Aos olhos dos líderes europeus há uma viragem fundamental e a Turquia é, agora, vista como uma autocracia.

Marc Pierini Analista político, Carnegie Europe

Sem qualquer menção sobre o estado agonizante das negociações entre as duas partes sobre a futura adesão daquele país, Margaritis Schinas, porta-voz do executivo comunitário disse: "Esperamos que, sob a liderança do Presidente Erdoğan, a Turquia continue a ser um parceiro empenhado da União Europeia em questões importantes de interesse comum, tais como segurança migratória, a estabilidade regional e a luta contra o terrorismo".

Depois do referendo constitucional, em 2017, que deu mais poderes à presidência, o duplo escrutínio antecipado assinala a passagem do sistema parlamentar para um sistema presidencial em que chefe de Estado concentra a totalidade do poder executivo.

"Aos olhos dos líderes europeus, há uma viragem fundamental e a Turquia é agora vista como uma autocracia", disse, à euronews, Marc Pierini, analista político no centro de estudos Carnegie Europe, em Bruxelas.

"A campanha foi incrivelmente injusta; 180 horas de tempo de antena na televisão para o presidente e vinte horas para todos os outros oponentes em conjunto. Isto não tem nada a ver com a forma como decorrer eleições na Europa. A Turquia está numa órbita diferente da Europa. Isso não significa que não haverá nenhum contacto porque é preciso falar de luta antiterrorismo, refugiados, interesses económicos, mas do ponto de vista da governação, já não estão no mesmo planeta", acrescentou.

O Presidente turco convocou em abril estas eleições presidenciais e legislativas antecipadas inicialmente previstas para novembro de 2019.

Erdoğan defende a necessidade de tal medida para garantir a estabilidade na cúpula do Estado, mas os seus opositores acusam-no de querer monopolizar o poder com esta transformação.