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Migração: A Europa tem de agir em vez de reagir

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Migração: A Europa tem de agir em vez de reagir

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Na África Subsaariana, e de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, cerca de 560 milhões de pessoas, o que corresponde a 58 por cento da população, vive em pobreza multidimensional. A situação tende a piorar devido aos conflitos na região, mas também, e entre outras coisas, às alterações climáticas:

"Quando sabemos que cerca da metade da população da África subsaariana depende, diretamente, da agricultura de subsistência durante toda a sua vida adulta, isso significa que muitos daqueles que chegam à Europa, hoje, e a que chamamos de migrantes económicos são também migrantes ambientais. Precisamos entender que as mudanças climáticas induzirão à redistribuição da população mundial e precisamos de estar preparados, de antecipar isso", explica François Gemenne, perito em dinâmicas migratórias.

A Europa não estava preparada para esta vaga migratória. Longe de ser o "El Dorado" é preciso encontrar soluções mas, em alguns casos, há motivos para protelar:

"Precisamos de criar esquemas de migração, com rotas seguras e legais, para aqueles que querem vir para a Europa. E vai continuar a haver pessoas a quererem vir para a Europa. Vemos isto como uma crise porque fechamos as fronteiras e, portanto, as pessoas têm de usar os serviços de contrabandistas e traficantes, as pessoas têm que ir para o mar. E acredito que é do interesse de alguns governos criar uma crise política, porque eles serão capazes de obter alguns benefícios regulatórios com essa crise", adianta Gemenne.

Enquanto Portugal é o país onde a oposição à entrada de migrantes mais diminuiu nos últimos três anos, de acordo com o Inquérito Social Europeu, há países onde a situação é inversa. A Hungria está do lado oposto nesta questão. Áustria, República Checa, Polónia, Itália, Lituânia e Suécia são os outros países onde os migrantes e refugiados são cada vez menos bem-vindos.