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França e Itália em "jogo do empurra" sobre migração ilegal

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França e Itália em "jogo do empurra" sobre migração ilegal

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A expulsão de migrantes de França para Itália, por parte da polícia francesa, está na base do mais recente braço-de-ferro entre os governos dos dois países. O recém-empossado ministro francês do Interior, Christophe Castaner, prometeu para breve um encontro com o colega italiano Matteo Salvini.

Salvini, líder do partido Liga, com uma postura anti-imigração conhecida, acusa os países vizinhos, sobretudo a França, de estarem a deixar a Itália sozinha a gerir a chegada em massa de migrantes, vindos sobretudo de África. Estima-se que o número seja de 700 mil, desde 2013.

Recentemente, o ministro publicou no Facebook um vídeo que mostra polícias franceses a entrar ilegalmente em território italiano para lá deixar um grupo de migrantes.

++ POLIZIA FRANCESE SU SUOLO ITALIANO: GUARDA COSA FA... ++

? VIDEO INCREDIBILE! FACCIAMO GIRARE ALMENO IN RETE! Girato questa mattina a Claviere, sul confine Italia-Francia. Anche questa auto della polizia francese aveva sbagliato strada??? Macron, rispondi!

Publiée par Matteo Salvini sur Vendredi 19 octobre 2018
O vídeo, publicado na página oficial de Salvini, mostra polícias franceses em território italiano.

A recondução de migrantes ilegais à fronteira com a Itália é uma prática corrente para as autoridades francesas, mas não há acordos bilaterais que permitam à polícia de França entrar em Itália. Castaner promete continuar com estas expulsões, enquanto Salvini promete manter patrulhas policiais nas fronteiras, para evitar estas devoluções. A solução para o braço-de-ferro pode estar no encontro entre os dois homens, que ainda não tem data nem local marcado.

Castaner diz que pretende continuar uma política de firmeza face à imigração ilegal e que não quer juntar polémicas à polémica. Sobre Salvini, diz que "os diferendos se resolvem com cooperação e não oposição", sem entrar em detalhes sobre que tipo de acordo pode haver.

Segundo os acordos de Dublin, os migrantes que entram na União Europeia devem permanecer no primeiro Estado-membro em que entraram e é aí que podem pedir asilo, mas a França é o destino sonhado para muitos, se não a maioria, dos que chegam aos portos italianos.