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Portugueses na Venezuela sem bacalhau no Natal

Portugueses na Venezuela sem bacalhau no Natal
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A falta de bens e os altos preços em bolívares e em dólares de alguns produtos na Venezuela estão a afetar as famílias portuguesas na Venezuela durante a quadra natalícia, obrigando muitos a usar mais coisas locais e a evitar os produtos tradicionais.

"É impossível comer bacalhau porque está muito caro"

José Caldeira Empresário português na Venezuela

"É uma pergunta muito complicada nestes tempos na Venezuela. A ceia de Natal custa o que cada família pode investir na ceia. Nestes momentos não se conseguem todos os produtos, todos os ingredientes", disse o presidente do Centro Português de Caracas (CPC).

Como referência, Juan Ricardo Ferreira, explica que o CPC prevê realizar, a 31 de dezembro um jantar de fim de ano, que inclui uma festa, sem bebidas alcoólicas, cujo valor de custo é de 53 euros.

"Custa 60 dólares (53 euros) por pessoa, a preço de custo. O mesmo custo que tem a festa, foi transferido a cada sócio e se determinou que são 60 dólares por pessoa. Isso pode ser uma referência, para saber o que é uma ceia de natal, mas esse não é realmente o custo de uma ceia de natal", disse.

Insistindo que "cada família determina o que pode gastar" e que os tempos "são muitos complicados para determinar um preço", o jantar terá "frango, carne de vaca, de porco e peixe, e os acompanhantes, saladas, batatas, arroz, as proteínas básicas de uma ceia tradicional de Natal, com parte dos bens essenciais de Portugal, das nossas raízes", explicou.

No entanto, "neste momento não se consegue bacalhau no mercado" venezuelano" e que quem o tiver é porque o trouxe de outro país.

"Este ano, apesar de que estamos cobrando a preço de custo, [o jantar] está mais caro que no ano passado", disse o dirigente associativo.

À crise económica juntou-se a reconversão cambial do país que diminuiu ainda mais o poder de compra de produtos estrangeiros.

Por outro lado, o empresário José Caldeira, da área de supermercados diz que "é impossível comer bacalhau, porque está muito caro".

"Aqui, na Venezuela, não se consegue bacalhau. Temos que comer a comida tradicional venezuelana que é "hallacas", pernil, batatas e cerveja", disse à Lusa.

Lá em casa, explica, de cinco pessoas, apenas três pessoas vão estar.

"Para a ceia de Natal, para mim, a minha mulher e a filha são mais ou menos 180 dólares (158 euros). Inclui uma garrafa de vinho, o pernil, e as hallacas. Como já não podemos tomar whisky, porque está muito caro tomamos um rum venezuelano. Não é igual ao que era antes", disse.

José Caldeira

E desabafa: "uma garrafa de whisky em Portugal vale 20 euros e aqui é 30 ou 40 euros, é muito mais caro que fora (no estrangeiro). Estamos dolarizados. Ganhámos em bolívares e ninguém ganha dólares para poder pagar o custo das bebidas e comidas".

"Gostava que isto aqui mudasse que as coisas sejam melhores em 2019 e cumprimentar os nossos compatriotas que estão fora de Portugal", frisou.

Para o comerciante Simão Rocha, "nem todas as famílias podem ter hoje uma ceia de Natal na Venezuela".

"Faltam muitas coisas que tínhamos há 20 anos atrás. Não temos bacalhau, se alguém o tem é porque o trouxe de alguma parte do mundo. É difícil conseguir as uvas e mesmo cerejas há que pagar muito caro", disse.

Quanto ao conteúdo, explicou que será "uma mistura" de tradições, entre a Venezuela e Portugal, com a "hallaca", o pão de fiambre, o bolo rei ou o panetone.

"Tento sempre ter um pouco de bacalhau, pernil, uvas, passas, frutas secas como as nozes. Lamentavelmente, hoje em dia há famílias que ainda podem manter essas tradições, mas isso está em via de extinção, porque já a maior parte da comunidade portuguesa não consegue ter esses produtos na sua ceia de natal", disse.

"Se não existirem mudanças políticas não haverá melhorias nas próximas ceias de Natal e cada dia será pior", vaticinou, desanimado.

No país vivem meio milhão de portugueses e lusodescendentes, uma forte grande comunidade com fortes relações com a Madeira e o distrito de Aveiro.