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Jovens querem sair de Gaza

Jovens querem sair de Gaza
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Em Gaza, as ruas agitam-se sem esperança. A guerra, a pobreza e o desemprego levam os jovens a sonhar com outras paragens. Com as fronteiras fechadas, o sonho torna-se muitas vezes num pesadelo que a maioria está disposta a viver para fugir da realidade que conhece.

Isam Al Shawwa teme pelo futuro do filho, mas a perspetiva de ficar na Palestina também não o agrada. "Nestas circunstâncias, o meu filho está constantemente a pedir-me para ajudá-lo a migrar como os amigos. Eu digo que não, mas honestamente, se tivesse capacidade financeira, daria o dinheiro que ele precisa para emigrar, para que ele pudesse procurar um futuro. Aqui não há futuro'', confessa.

Rafah, na fronteira com o Egito, é o ponto de partida para muitos migrantes que rumam à Europa. Também o foi para Mostafa Al Nabieh. Um caminho cheio de obstáculos em que poucos chegam ao fim e que conhece bem. "Quando as portas se fecham na nossa cara, vamos bater a qualquer porta, nem que seja do inferno. A jornada da migração é uma jornada para o inferno até chegarmos ao destino final, enfrentamos muitas dificuldades. Eu não consigo chegar à Europa, mas posso contar-lhe a minha experiência ao atravessar o Sinai, que é uma área muito perigosa. Eu queria morrer", conta

Ao contrário de Mostafa, nem todos vivem para se arrepender. Om Wael Weshah viu o filho partir para a Europa. Sabe que foi levado num barco por contrabandistas e não o vê desde então. Hoje, diz que "os jovens vão continuar a sair, porque não se sentem seguros no próprio país. Eles vão à procura de segurança, mas também muitos acabam por morrer. Acham que vão encontrar segurança e dignidade na Europa, mas qual é o sentido? Talvez cheguem lá, talvez não"

Já perderam a conta às histórias de quem partiu, mas, para quem quer fugir de Gaza, o mar de dificuldades que tem pela frente é um risco que continua a valer a pena enfrentar.