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O papel da União Europeia na Etiópia

O papel da União Europeia na Etiópia
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@MonicaPinna
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As reformas democráticas do primeiro ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, conhecido como o Obama de África, puseram em causa os monopólios económicos e políticos que dominavam o país há décadas.

As reformas foram elogiadas pela ONU mas desencadearam uma vaga de violência interétnica. Três milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar as casas. Dois terços dos deslocados fugiram dos conflitos, os outros fogem das cheias e da seca. Quase oito milhões de pessoas precisam de ajuda alimentar.

O papel da União Europeia na Etiópia

Qual é o papel da União Europeia num país em suspenso, entre reformas democráticas e conflitos interétnicos?

O campo de Qoloji na vizinha Somália acolhe 80 mil pessoas sobretudo somalis e etiopes da região de Oromia. Todos os dias chegam novas famílias. Há pessoas que vivem no campo há mais de um ano. É o caso de Ubah Ali Esse, 28 anos e cinco filhos.

"Vim para aqui há um ano e três meses. Tinha duas lojas em Oromia, vendia roupa e comida. Aqui vivemos numa pequena cabana. Estamos a sofrer muito", contou Ubah Ali Esse.

Água e saneamento básico são algumas das necessidades mais urgentes. A Agência Internacional para as Migrações das Nações Unidas com o apoio da Ajuda Humanitária da União Europeia construiu sanitas e duches e informa a população sobre a importância da higiene.

"Treinámos dezasseis promotores de higiene. Selecionámos as pessoas e cada uma vai treinar trinta mulheres. Eles ensinam ações de prevenção e depois da formação fazem o acompanhamento em casa de cada mulher", declarou Halimo Hassen, trabalhador da Agência Internacional para as Migrações.

"Aprendi a lavar as mãos de forma adequada, especialmente antes de cozinhar. Aprendi a lavar os pratos, a comer a comida quando está quente e depois a tapar os restos", disse Ubah Ali Esse.

Dinheiro e cupões para promover autonomia e dignidade

Todas as semanas, os trabalhadores da Agência Internacional para as Migrações andam de porta em porta para ver se as pessoas põem em práticas as regras de higiene. Uma das coisas que se aprende é a separar a água potável da água que não pode ser ingerida.

O Comissário Europeu para a Ajuda Humanitária, visitou o campo de Qoloji em dezembro. Christos Stylianides anunciou um pacote de ajuda de 89 milhões de euros para o período 2018-2019. O dinheiro é repartido entre a ajuda às pessoas deslocadas, e ao milhão de refugiados e à resposta aos desastres naturais.

"Temos de nos centrar em projetos específicos. Damos dinheiro e cupões porque para nós é a forma mais eficiente de tornar as pessoas autónomas e dar-lhes dignidade, nestas circunstâncias muito difíceis. A Etiópia atravessa mudanças políticas muito profundas. A União Europeia está aqui para apoiar essas grandes reformas nesta ilha estável, desta região", sublinhou Christos Stylianides, Comissário Europeu para a Ajuda Humanitária.

Prédios requisitados para responder à crise

Há seiscentos sítios para pessoas deslocadas na Etiópia. A maioria nem sequer se pode chamar campos. A euronews esteve na aldeia de Deder, na região de Oromia, onde vivem oito mil pessoas deslocadas. Algumas vivem lado a lado com a população local, outras em edifícios requisitados para dar resposta à crise humanitária.

A cada dois meses, os trabalhadores da Agência Internacional para as Migrações recolhem dados nos locais onde vivem as pessoas deslocadas. Num prédio, em Deder, vivem duzentas famílias há um ano e meio.

"O número de pessoas está a aumentar. Nasceram aqui 150 crianças. Veja como dormirmos, num chão de cimento, não temos roupa. As necessidades aumentam mas recebemos muito pouco.", contou Hajo Ahmed Osso.

Base de dados facilita trabalho das ONG

Não é fácil conhecer o número exato de pessoas deslocadas, a idade, a atividade e as condições de vida de cada um. A Agência Internacional para as Migrações organizou uma rede de operadores que recolhem dados que são depois inseridos numa base de dados.

"A base de dados contém informação sobre as necessidades básicas das pessoas deslocadas, o que facilita a coordenação da intervenção das ONG, das agência da ONU e do governo, o que torna a ajuda mais eficiente", explicou Dario Poddighe, da Agência Internacional para as Migrações.

Apesar de colaborarem com o novo governo etíope, as agências internacionais querem ter uma avaliação independente das necessidades das pessoas deslocadas nas zonas sensíveis, para evitar que elas sejam pressionadas a voltar para zonas inseguras.