EventsEventos
Loader

Find Us

FlipboardLinkedin
Apple storeGoogle Play store
PUBLICIDADE

Educação militar renasce na era Bolsonaro

Educação militar renasce na era Bolsonaro
Direitos de autor 
De  Ricardo Borges de Carvalho
Partilhe esta notíciaComentários
Partilhe esta notíciaClose Button
Copiar/colar o link embed do vídeo:Copy to clipboardCopied

Quatro escolas da região de Brasília, do primeiro ciclo ao secundário, participam no projeto piloto lançado pelo governo do Presidente Jair Bolsonaro. Se tiver bons resultados, modelo deve alargar-se a 40 escolas

PUBLICIDADE

Neste primeiro dia de aulas do centro educacional 7, de Ceilândia, os alunos ficaram a conhecer as regras com que a partir de agora vão estar na escola.

Entram nas salas em fila, cumprem horários, têm de usar farda, e tal como no Exército, o cabelo das raparigas é para ser usado apanhado e o dos rapazes, curto.

Quatro escolas da região de Brasília, do primeiro ciclo ao secundário, participam neste projeto-piloto lançado pelo governo do Presidente Jair Bolsonaro. Se tiver bons resultados, a ideia deve alargar-se para cerca de 40 escolas.

Além das disciplinas curriculares habituais, os alunos vão ter aulas de música e de educação moral e cívica dada por militares ou polícias militares:

"Nós estamos querendo realmente empoderá-los, resgatar os valores, resgatar a autoridade tão perdida dos professores. Nós chegamos para ser colaboradores e não usurpadores", afirma o Capitão Newton de Araújo Vale, um dos envolvidos no projeto.

Os militares assumem a responsabilidade das tarefas administrativas e de disciplina, enquanto os professores ficam com a gestão do programa pedagógico. Um modelo imposto que não foi consensual entre os educadores:

"O que me preocupou muito nessa militarização da escola foi a fala do nosso diretor disciplinar, quando ele diz que as pessoas que não se adaptarem podem sair. Para um educador ouvir a palavra "se você não se adaptar pode sair", é dolorido", adianta a professora Carla Alcântara Souza.

O projeto-piloto permite ainda aos pais terem acesso ao que os alunos fizeram durante o dia de aulas através de uma aplicação de telemóvel. Os estudantes estão divididos:

"Eu já fiz um projeto de militarização e realmente é muito bom, as pessoas ficam mais disciplinadas e aprendem a viver melhor na sociedade", explica um aluno, Lucas Monteiro.

Já outra estudante, Maria Eduarda Lacerda, diz: "Tenho medo porque afetaria a nossa liberdade de expressão."

As quatro escolas do projeto-piloto foram escolhidas devido ao baixo nível de desenvolvimento humano e à elevada taxa de criminalidade das zonas onde estão. O governo brasileiro diz que noutras regiões com escolas de modelo semelhante se verificou uma melhoria dos indicadores de aprendizagem dos alunos e uma diminuição da criminalidade.

Editor de vídeo • Ricardo Borges de Carvalho

Partilhe esta notíciaComentários

Notícias relacionadas

Estudantes protestam contra cortes na educação

Antigo chefe do exército brasileiro ameçou prender Bolsonaro se insistisse com golpe de Estado

Dezenas de milhares de brasileiros saíram à rua para mostrar apoio a Bolsonaro em São Paulo