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DIKDA, a nova vida dos livros na Eslováquia

DIKDA, a nova vida dos livros na Eslováquia
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"Os livros têm os mesmos inimigos que o Homem": o fogo, a água e o tempo, disse o escritor francês Paul Valéry.

Na Biblioteca Nacional da Eslováquia, em Martin, o DIKDA, um projeto de digitalização em massa, tornou possível proteger livros e documentos dessas ameaças. Para o público em geral, isso significa também uma nova forma de viver a cultura nacional.

Marian Baleja é professor e para ele esta é uma oportunidade de "a próxima geração pode vir aqui e ver como era a vida e a nossa cultura há 50 ou cem anos".

DIKDA

Graças ao DIKDA, apoiado pela política de coesão da União Europeia, mais de 56 milhões de páginas de livros, documentos e revistas foram armazenados numa enorme base de dados digital.

"A digitalização tornou a tarefa de preservar o património cultural para a posteridade muito mais fácil para nós, porque a circulação de documentos físicos entre os usuários é cada vez menor, visto poderem ter acesso a cópias digitais", revela Jan Kovacik, coordenador do projeto.

O processo começa com a transferência dos livros para um novo centro de digitalização e conservação de ponta, a poucos quilómetros da cidade de Martin.

No laboratório, uma equipa de especialistas treinados, utiliza equipamentos específicos para processar os livros através de várias etapas como limpeza, testes químicos, restauração, quando necessário, e os procedimentos de digitalização.

Dependendo do tipo de livro e das condições em que está, o técnico usa um digitalizador manual ou automático. Todo o património cultural eslovaco passou por estas máquinas, página a página.

Lubos Gloncak conhece bem o processo. É especialista em metodologia de digitalização na Biblioteca Nacional da Eslováquia e conta que "todos os dias, cada máquina digitaliza cerca de 3000 páginas. Temos 20 scanners aqui, portanto, podemos fazer as contas: são 60 mil páginas por dia".

O PROCESSO DE RESTAURAçÃO

Salvar um livro é mais do que fazer uma cópia digital. Também significa detectar e neutralizar organismos bacterianos que se podem desenvolver e danificar as páginas.

Uma importante série de testes é feita, antes de os textos serem enviados para o departamento de restauração.

A especialista em conservação de papel da biblioteca, Nora Rapava, é a responsável por encontrar microorganismos nos documentos. "É importante saber com o que estamos a lidar, para que possamos definir algumas estratégias para destruí-los e salvar o livro", afirma.

Milhares de documentos vão continuar a ser processados, apesar de a parte principal do projeto, que durou 3 anos, já ter terminado.

Através das tecnologias e do trabalho manual, o programa vai continuar a missão de preservar a herança cultural da Eslováquia.