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Investigação do 'caso Marielle Franco' não exclui hipótese de mandante

Investigação do 'caso Marielle Franco' não exclui hipótese de mandante
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REUTERS/Sergio Moraes
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O Ministério Público brasileiro não exclui a possibilidade de ter existido um mandante no homicídio da antiga vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco.

Prestes a completar-se um ano da morte da ativista e do motorista que a levava no carro, Anderson Gomes, a investigação do caso divulgou na terça-feira a detenção de dois suspeitos: os antigos polícias militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz.

Segundo o portal g1, da Globo, as autoridades analisaram nos últimos meses de forma remota quase 700 gigabytes de dados de comunicação e informáticos que possibilitaram esta operação.

O agente responsável pela investigação, Giniton Lages, revelou que o crime teve o ódio como motivação, mas que nesta fase é prematuro abordar um possível autor moral do homicídio.

"Nós não podemos saltar fases. Estão a perguntar sobre algo que pertence a uma segunda fase da investigação. Nós ainda não sabemos (quem e se alguém ordenou o assassinato). O que sabemos com certeza é que Ronnie Lessa estava dentro do carro e que Ronnie Lessa atirou. O motorista era Élcio (Vieira de Queiroz)", explicou Giniton Lages.

Há um ano à espera de respostas, a família de Marielle Franco recusa acreditar numa morte sem mandante.

"Espero que a gente descubra quem mandou matar. Isso é muito importante saber. Não foi o 'Zé da esquina', foi alguém que pode pagar por isso", alertou a irmã Anielle Franco.

Os ecos das detenções chegaram até Brasília, onde Marcelo Freixo, considerado publicamente o mentor de Marielle Franco, continua a aguardar pelos próximos passos da investigação.

Para o deputado do Partido Socialismo e Liberdade, a pergunta que se impõe no caso quem está por detrás da ordem para matar Marielle Franco.

"É um passo importante para descobrir quem realmente matou Marielle... e não é o que realmente disparou a arma. Quem realmente matou Marielle é a pessoa que ordenou o assassinato. Que grupo político no Rio de Janeiro é capaz de matar alguém com diferentes ideais políticos por algum motivo? Qual foi a razão? Por que Marielle foi morta? O país precisa de saber, o mundo precisa de saber", disse Marcelo Freixo.

A investigação revelou também que a filha do detido Ronnie Lessa namorou no passado com um dos filhos do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Aliás, Lessa mora no mesmo condomínio de Bolsonaro e do filho Carlos, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

No entanto, as autoridades asseguraram que essas ligações não foram relevantes para avançar com as detenções.

Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados a 14 de março de 2018, quando viajava de carro pelo centro do Rio de Janeiro, depois de participar num ato político com mulheres negras.