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Rumo às eleições europeias - A Europa sob o olhar dos camionistas

Rumo às eleições europeias - A Europa sob o olhar dos camionistas
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A Euronews está na estrada para uma viagem de dez semanas por 14 países europeus. O objetivo? Ouvir as vozes dos cidadãos antes das eleições europeias em maio.

Atravessámos a fronteira para Espanha e seguimos de Badajoz para Almendralejo a bordo de um camião de carga para entender a realidade da vida daqueles que passam os dias na estrada.

José Polo e Daniel Rodriguez estão a viajar há sete dias seguidos. Estão cansados, mas dizem que a estrada é a vida deles. José já deveria estar acostumado - há 17 anos que é camionista. Mas diz que as coisas estão a piorar. E a juntar a isso existe ainda o facto de os camionistas abdicarem de muito da vida pessoal por esta carreira.

"Num bom mês, eu posso ganhar 1.700 euros. Num mês bom! Antes éramos pagos de forma justa, mas agora... O meu empregador está a sair-se bem e há outras empresas que estão a surgir. Mas os trabalhadores são os mais afetados”, afirma José Polo.

Para Daniel, o que mais custa nesta vida é ficar longe da família por demasiado tempo: "É de partir o coração deixar a família para trás... não ver a esposa e a criança. Mas pelo menos estamos aqui e vamos levar o dinheiro para casa".

Por toda a Europa, as empresas sentem dificuldade para contratar e manter os camionistas.

Segundo o Sindicato Internacional dos Transportes Rodoviários, o setor enfrenta a mais aguda escassez de motoristas profissionais em décadas e espera-se que 40% das vagas de 2019 fiquem por preencher. permaneçam não preenchidos este ano

Salários curtos e longas horas não são uma combinação muito atraente. Questionados sobre a Europa, Daniel e Jose assumem-se observadores privilegiados de algumas das vantagens da União - mas também das falhas.

Ambos querem o mesmo que os outros europeus: melhores salários e melhores condições de trabalho. E vão votar em maio, na expectativa de que a União Europeia possa ajudar.

"Desde que eu estou na estrada que é fácil circular por toda a Europa, mas antes era mais complicado, perdíamos muito tempo com a alfândega e tudo isso. Hoje as coisas são mais fáceis com a moeda única - não precisamos continuar a trocar dinheiro. Mas, obviamente, nem todos os países europeus estão na mesma situação. Em termos de infraestruturas a Alemanha está anos-luz à nossa frente. E a França também. Os salários não são comparáveis. O salário de um trabalhador alemão não é comparável ao de um espanhol. E então, às vezes, uma pessoa interroga-se para que serve ser da Europa", questiona José.

José e Daniel têm pela frente mais 260 kms até chegarem a casa, em Huelva. Antes de voltarem a ter de sair para as estradas da Europa.