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Global Conversation com Marine Le Pen

Global Conversation com Marine Le Pen
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Neste Global Conversation, temos como convidada Marina Le Pen, presidente do partido União Nacional. Vamos falar da Europa e, antes de mais, das eleições europeias de fim de maio.

Euronews: Espera conseguir superar o resultado de 25% das eleições europeias de 2014?

Marine Le Pen: A situação da vida política francesa é um pouco diferente. Agora existe outro partido, o Repúplica em Marcha. O que quero é que, acima de tudo, é que sejamos os mais votados. Por duas razões: em primeiro lugar, como compreenderá, é uma razão de ordem europeia. Quero que sejamos parte de um grande grupo em defesa das nações. Queremos fazer oposição a essas políticas da União Europeia, que consideramos que falharam. Mas também por uma razão nacional. Creio que é absolutamente necessário que Emmanuel Macron seja derrotado nestas eleições que são, de certa maneira, umas intercalares. Será um sinal de que não poderá continuar, na segunda parte do seu mandato, como esteve na primeira.

Euronews: E o partido República em Marcha, juntamente com o MODEM, superam o seu partido nas sondagens Acha mesmo que vai conseguir melhores resultados do que eles? Que essa coligação.?

Marine Le Pen: Sim, acredito que sim. E dito isso, quero referir que somos o primeiro partido em França. Faz muito bem em recordar que essa lista Em Marcha é, na realidade, uma lista de coligação com o MODEM e o partido AGIR e, se posso ser franca, com uma parte do partido Os Republicanos. Isto porque o senhor Juppé, o senhor Rafarin, que não são exatamente desconhecidos no partido Os Republicanos, já anunciaram que apoiavam a coligação Em Marcha. Por tudo isso, creio que vamos ser os mais votados nestas eleições europeias, porque representamos uma esperança para a Europa. Uma Europa que deixou os povos em estado de desespero. Essa União Europeia, com a sua mentalidade carcerária, com as suas chantagens e as suas ameaças, e com os seus resultados, muito maus... Para salvar a Europa é preciso que nos afastemos da União Europeia.

Euronews: Já vamos voltar a esse tema. Quando é que nos vai dar a conhecer o seu programa, os três pontos principais? Ainda não foi anunciado. Será que poderia dizer à Euronews algo sobre o seu programa? Três pontos principais.

Marine Le Pen: Três pontos importantes? Voltar aos sistemas de proteção. De proteção da existência das nações. Suprimir o Acordo de Schengen. É evidente recuperarmos o controlo das nossas fronteiras. Podemos mesmo pensar numa agência do tipo da FRONTEX para as nossas fronteiras nacionais, mas que apenas poderia intervir caso tal fosse pedido pelos diferentes Estados, quando confrontados com fluxos migratórios em massa. Mas é importante que recuperemos o controlo das nossas fronteiras. Em segundo lugar, é preciso por termo à concorrência internacional desleal. É preciso que os produtos que não temos o direito de cultivar nem de produzir na União Europeia não possam ser importados para evitar essa concorrência internacional desleal. E, em último lugar, é preciso pôr termo aos acordos de livre comércio são um modelo contra a ecologia em todo o seu esplendor. É preciso que recuperemos uma política do que é local, de proximidade da produção, porque é isso que vai preservar o nosso território e o nosso Planeta.

Euronews: Falemos sobre o último ponto. Não lhe parece que uma Europa é mais forte quando unida, precisamente quando falamos de comércio internacional? Para enfrentar países como a China e os Estados Unidos? Uma dispersão soberanista é algo que nos torna mais fracos, em vez de sermos 28, em breve 27.

Marine Le Pen: Sim, mas essa teoria já há 20 anos que nos é vendida. Se seguirmos essa filosofia, o mínimo que podemos dizer é que a União Europeia, como estrutura supranacional, não nos deu mais nada do que fraquezas. A zona euro é a zona de crescimento mais fraca do mundo, temos a desintrustrialização em massa, o desemprego que aumenta, a pobreza que se agrava, um nível de segurança sanitária que se reduz por causa das importações em massa... Por outro lado, as nações que estão unidas, as nações que cooperam porque decidem cooperar e que não são forçadas a faze-lo porque assim vão de encontro aos seus interesses, podem construir projetos. Claro que é esse o nosso ponto de vista. Temos a Aibus, temos a Arianne, isso funciona.

Euronews: Mas, por exemplo, sem a PAC, não me parece que a agricultura francesa possa sobreviver.

Marine Le Pen: Sim, mas desculpe que lhe diga, mas sobreviveu durante séculos sem a PAC.

Euronews: Sim mas estamos num modelo económico muito diferente e sem essa ajuda europeia aos agricultores francesas - nove mil milhões, sete mil milhões em ajudas diretas, a agricultura francesa não poderia sobreviver.

Marine Le Pen: Sim, mas esse dinheiro não foi produzido numa cave da União Europeia. O senhor Juncker não tem uma gruta onde existe uma máquina de fazer dinheiro, notas. Esse dinheiro sai dos bolsos dos franceses.

Euronews: E dos europeus. Todos contribuimos e todos recebemos.

Marine Le Pen: Não, toda a gente contribui e toda a gente recebe, mas há pessoas que contribuem muito mais do que recebem.

Euronews: Em função do PIB, da economia... É um problema de solidariedade.

Marine Le Pen: Sim. Nós contribuimos em termos brutos, com 100 mil milhões nos últimos 20 anos. 100 mil milhões!

Euronews: Sim, podemos entrar numa batalha de números, podemos acrescentar os direitos alfandegários...

Marine Le Pen: Sim, mas nós contribuimos com 100 mil milhões brutos nos últimos 20 anos. Por isso, que tenhamos um retorno sobre uma parte daquilo que foi transferido parece-me totalmente legítimo. Agora, tendo em conta os resultados, se observarmos os resultados da PAC em relação ao seu objetivo inicial, parece-lhe que os agricultores franceses têm razões para festejar. O que eu vejo é o desaparecimento dos modelos de exploração a nível familiar. O que vejo é agricultores forçados a sofrer a concorrência desleal da parte de produtores que não respeitam as normas que lhes são impostas. O que vejo é que os mecanismos de proteção que tinham sido postos em marcha, como as cotas para o leite, para o açúcar, acabaram por desaparecer. Por isso, honestamente, hoje em dia, não podemos dizer que a PAC tenha cumprido com a sua missão. Além disso, querem reduzir a PAC em 5 por cento.

Euronews: E lamenta isso? Vai aos salões de agricultura e agora lamenta isso? Precisamos ou não precisamos da Europa?

Marine Le Pen: Não, minha senhora. É o nosso dinheiro. A PAC serve para financiar a economia europeia e se nos dizem agora que vão reduzir o financiamento e que vamos receber ainda menos do que recebemos, para que os agricultores, que já nem conseguem viver do trabalho deles, fiquem com dificuldades ainda mais graves, claro que sou contra isso. Quero que tenhamos o máximo retorno sobre o dinheiro que pagamos à União Europeia ou então que paguemos menos. Mas não podemos ser perdedores a esse ponto.

Euronews: Falemos de um ponto muito importante. Depois das eleições europeias tem intenção de formar um grupo, que deverá ser maior do que aquele que existe agora e que foi difícil de formar em 2014, em 2015... Um grupo que reflete o aumento dos sentimentos nacionalistas na Europa. Pensa num grupo maior? Pensa em aproximar-se de grupos como o espanhol VOX?

Marine Le Pen: Falamos com toda a gente. Com Mateo Salvini...

Euronews: Sim, mas ele já é parte do seu grupo.

Marine Le Pen: Sim, mas não é isso. Foi precisamente a Salvini que pedimos que fosse um pouco percorrer as capitais europeias para tentar conseguir, de certa forma, novos aliados. Nós vamos ser mais numerosos, mas claro que também queremos crescer. E não lhe escondo que temos a ambição, ou, em todo o caso, o grupo, de constituir um grande grupo de defensores das nações no qual poderiam ser integrados os grupos europeus, como grande parte do EFCR ou EFDD. É verdade que isso seria pertinente.

Euronews: E não se sente incomodada com as derrapagens a nível democrático de alguns dos seus possíveis aliados? Falo, por exemplo do partido VOX em Espanha. Falo do VOX que acaba de chegar ao panorama político. Teve um destaque nas eleições regionais da Andaluzia. É um partido com teses muito sexistas, que quer uma reforma das lei de proteção da violência sofrida pelas mulheres. Como mulher, como se posiciona em relação a um partido deste tipo?

Marine Le Pen: Sabe, eles são do Partido Popular. É só um grupo de pessoas que deixou o Partido Popular. E isso não incomodava ninguém quando esse tipo de teses eram debatidas. Vemos, mais uma vez, que se trata de uma visão ideológica. Mas eu sou uma soberanista. Sou uma democrata.

Euronews: Então é cada um com os seus problemas?

Marine Le Pen: Exatamente! Considero que é o povo espanhol quem deve decidir sobre isso. Se a VOX tem uma espetacular subida em termos eleitorais, é porque o que dizem corresponde ao que deseja o povo espanhol. Não me meto nos assuntos dos espanhois. Penso que é um problema que tem origem na União Europeia. Quer impôr aos europeus um modelo único a países que são diferentes, que têm uma cultura diferente, que têm uma história diferente. Temos uma cultura europeia comum, mas temos, cada um de nós, especificidades. Temos identidades, por vezes uma identidade económica, pontos fortes e pontos fracos, graças a deus. Porque fala-se muito em diversidade, mas onde é que está, hoje em dia, a diversidade nos nossos dias na União Europeia?

Euronews: Mas não lhe parece que, na União Europeia, deve haver uma base de direitos fundamentais, de direitos comuns. Que sejam respeitáveis e a respeitar...?

Marine Le Pen: A senhora diz isso. Isso é a sua opinião, mas eu não li nem vi nada a esse respeito.

Euronews: Não, é a opinião dos democratas e imagino que seja uma democrata.

Marine Le Pen: Sim, mas não se trata disso, é que não sei nada sobre o que terá dito ou feito VOX que me permita dizer que são anti-femininstas.

Euronews: Mas está no programa deles.

Marine Le Pen: O que é que está no programa deles?

Euronews: O facto de que queiram revogar as leis que protegem as mulheres da violência de que são alvo.

Marine Le Pen: Não, mas e então o que significa revogar?

Euronews: Fazer mudanças, com que exista menos proteção, bom....

Marine Le Pen: Mas isso é a sua opinião. Provavelmente, se lhes colocar essa questão, vão responder-lhe que não. Talvez por uma razão ou por outra considerem que a lei está mal feita. Eu não posso responder a perguntas que são opiniões de jornalistas, porque uma e outra vez, apercebo-me de que a realidade é diferente.

Veja a entrevista na totalidade no vídeo do início da página.