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O organista de Notre-Dame

O organista de Notre-Dame
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Na solenidade das notas, Johann Vexo encontra o refúgio de memórias que insistem em ficar. Tocava na missa das 18h, da catedral de Notre-Dame, quando algo de inesperado aconteceu.

“Cerca de 10, 15 minutos depois de a missa começar, quando o padre estava a ler o evangelho, ouvimos um alarme. Foi uma grande surpresa para todos os presentes, porque foi a primeira vez que ouvimos o alarme na catedral. Era um sinal sonoro combinado com mensagens pré-gravadas em francês e inglês que pediam às pessoas que permanecessem calmas, mas que deixassem Notre-Dame imediatamente.No início, pensei que se tratasse de uma anomalia, ou que alguém o tivesse acionado por engano... nunca pensei que estávamos prestes a passar pela catástrofe que se seguiu", conta o organista.

Johann foi um dos primeiros a sair de Notre-Dame e a escapar da tragédia.

“Olhei rapidamente para o meu computador e descobri que realmente havia um incêndio. Saí imediatamente e dirigi-me para a praça Châtelet, de onde se pode ver a catedral. Já eram 19h20 e vi o telhado a ser engulido pelas chamas. (...) Era insuportável. Fiquei 1 ou 2 minutos e depois saí. ”, relata.

Para Johann, “Notre-Dame é um lugar tão importante para tantas pessoas. Com uma história incrível que está intimamente relacionada com a história do nosso país. É um lugar que reúne tudo o que fizemos de mais bonito em França, em termos de arquitetura, escultura, marcenaria, ourives, já para não falar de música, porque foi em Notre Dame que o que chamamos "música ocidental", o que temos por 'música clássica', nasceu. E é um lugar onde passei horas, dias, noites... Portanto, pode imaginar a consternação e a dor de ver tudo isto em chamas", lamenta.

Johann tem muito pouca informação sobre o estado do órgão em que costuma tocar. Tudo o que tem são fotografias. Vai-nos mostrando imagens no telemóvel para nos falar do que terá resistido ao incêndio.

“Encontrei esta fotografia no Facebook, ontem. É uma foto triste e magnífica ao mesmo tempo, onde vemos escombros no chão, no meio podemos ver o órgão do coro onde eu toco e a partitura que deixei no suporte ao sair, na segunda-feira. E, ao fundo, na igreja, podemos ver o grande órgão, e a rosácea, da Idade Média, que parecem igualmente intactos", afirma Johann .

Como muitos franceses, Johann não consegue deixar de pensar nas imagens de um dos monumentos mais importantes do país quase destruído. Encontra na música uma forma de consolo e de passar o tempo até voltar a tocar para todos em Notre-Dame.