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O voto das mulheres nas eleições espanholas

O voto das mulheres nas eleições espanholas
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O feminismo entrou em pleno na campanha eleitoral para as eleições gerais de 28 de abril, em Espanha.

Depois da greve e dos protestos que marcaram o Dia Internacional da Mulher, em Espanha, os partidos de esquerda reclamam mais direitos para as mulheres enquanto os mais conservadores criticam o que consideram ser "feminismo radical".

O voto feminino pode alterar o desfecho das eleições espanholas. Uma sondagem recente revela que as mulheres representam 60% dos eleitores indecisos. A euronews falou com várias jovens espanholas.

"Creio que há uma confusão para muita gente. As pessoas têm de informar-se melhor sobre o que é o feminismo", disse uma jovem espanhola. "Diz-se que uma em cada três mulheres assassinadas não tinha denunciado a violência, mas os outros dois terços tinham-na denunciado e ninguém fez nada", acrescentou outra jovem espanhola.

No ano passado, uma multidão de pessoas saiu à rua em Espanha para criticar a clemência da justiça espanhola no caso "La Manada", um grupo de cinco homens que violou, em grupo, uma jovem de 18 anos, em Pamplona.

"Houve uma onda de mobilizações que começou com os protestos de 15 de março de 2011 e que mostra uma sociedade mais ativa e participativa. É um movimento mobilizador. As pessoas consideram-no prioritário", sublinhou a analista Cristina Monge.

Desigualdade laboral e violência

A desigualdade salarial é uma das várias formas de discriminação contra as mulheres. Segundo o Eurostat, as mulheres ganham menos 15% do que os homens.

"Não é só a diferença salarial. Mas há trabalhos específicos que estão associados às mulheres, como a limpeza e os cuidados, onde persistem condições de exploração laboral que não parecem do século XXI. Há mulheres que passam o dia a limpar o chão de joelhos", disse a responsável da Organização Kelly.

A luta contra a violência conjugal é outro dos temas que marca o debate político. A Fundação Anna Bella fez várias propostas.

"Dentro do pacto de estado, as nossas principais propostas têm a ver com o facto de uma mulher não precisar de denunciar a violência para integrar um abrigo. Por outro lado, é importante apoiar a inserção laboral das mulheres e dar formação às pessoas que participam no processo de ajuda às vítimas de violência de género. Elas devem ter uma formação intensiva sobre tudo o que tem a ver com os maus tratos", explicou Beberly Barragán, responsável da Fundação Anna Bella.

Os direitos das mulheres e a clivagem esquerda-direita

Os partidos de esquerda integraram os direitos das mulheres no programa político. O partido Podemos fez uma aliança eleitoral com a Esquerda unida e chamou à coligação Unidas Podemos.

O PSOE incluiu no programa eleitoral uma secção intitulada "Espanha feminista" onde propõe modificações do código penal para reforçar a proteção das mulheres vítimas de violência doméstica.

O novo partido de extrema-direita, Vox, afirma-se contra as alterações propostas para proteger as vítimas de violência.

"Do lado dos conservadores, é um pouco assustador ver propostas da extrema-direita como as do Vox que questionam temas básicos com o direito ao aborto. Algo que estava bem estabelecido na sociedade espanhola volta a ser debatido publicamente e os direitos das mulheres são questionados. No meio, temos o partido Ciudadanos que não quis faltar à mobilização de 8 de março e apostou no discurso do feminismo liberal que é algo que gera muita polémica porque, do ponto de vista teórico e filosófico, é difícil de entender o que é o feminismo liberal", sublinhou a analista Cristina Monge.

Com onze mulheres e seis homens, os socialistas reivindicam o estatuto de governo mais feminista da história de Espanha. Mas, nos lugares cimeiros das listas de candidatos ao Congresso dos vários partidos, há, em geral, poucas mulheres.

"O facto de haver listas paritárias é um detalhe porque não conduz a uma maior participação das mulheres nem a uma maior presença das mulheres em posições de responsabilidade no interior dos partidos políticos", afirmou Cristina Monge.

As sondagens dáo a vitória ao PSOE, mas, sem maioria, o que abre portas a uma complexo jogo de alianças. A única certeza é a de que o próximo governo espanhol será, mais uma vez dirigido, por um homem.