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Rumo às Eleições Europeias: "Aldeias Fantasma" da Bulgária

Rumo às Eleições Europeias: "Aldeias Fantasma" da Bulgária
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Euronews
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A RoadTrip pela Europa continua na Bulgária e, desta vez, passou pelo noroeste do país.

Na região mais pobre da União Europeia, Bryan Carter e Apostolos Staikos, jornalistas da euronews, foram visitar as chamadas "aldeias fantasma”.

Kanitz tem quatro habitantes. Há 30 anos, mais de 100 pessoas viviam na aldeia. Agora, só há edifícios vazios e abandonados, relíquias de uma época em que a vida florescia.

Petko Nikolov é um dos habitantes.

“Muita gente vivia aqui. Havia um meio de subsistência, havia animais. Depois da coletivização de 1956, ficámos com uma grande herdade coletiva. Agora, não há ninguém. Às segundas e às sextas-feiras, vou à aldeia mais próxima porque aqui não tenho ninguém com quem falar. Muita gente está a morrer, os meus amigos estão mortos, pessoas com quem eu costumava trabalhar. Vivo com o meu gado. Se não fossem os meus animais e a minha televisão, eu morria aqui. Não haveria ninguém com quem falar. Quando falo com alguém ao telefone, demoro horas. Não há futuro aqui.

Apostolos Staikos: Antes de virmos para cá, lemos muito sobre as “aldeias fantasma” na Bulgária. Mas, na verdade, ver uma é chocante e faz-nos sentir muito tristes. Mas os tempos estão a mudar.

Bryan Carter : Sim, os tempos estão a mudar para o melhor e para o pior. Penso que hoje em dia o êxodo rural continua na Bulgária e em outros Estados-Membros. Algumas aldeias da União Europeia talvez estejam completamente vazias daqui a 20 ou 30 anos.

O que aconteceu em Kanitz pode acontecer em breve na aldeia vizinha de Rabrovo. A escola local fechou recentemente e apenas 250 pessoas vivem aqui, metade da população de há 30 anos.

Galina Vakaritzova é a autarca da aldeia.

“Sinto-me muito triste, muito perturbada pelo estado da nossa aldeia. Eu vivo aqui há 30 anos e havia tantas pessoas aqui. Agora, quando vou trabalhar de manhã, não há ninguém. E à tarde é a mesma coisa. Era muito melhor naquela época.

O encerramento de fábricas e a privatização das terras depois da queda do comunismo, no final da década de 1980, são as principais razões que afastaram os moradores destas aldeias. Hoje, os jovens continuam a sair para as cidades para encontrar trabalho e a maioria dos que permanecem tem mais de 60 anos e vive com reformas de menos de 150 euros por mês.

A presidente da câmara de Rabrovo diz que a União Europeia ajudou aldeias a construir infra-estruturas e a criar programas de trabalho para os residentes. No entanto, acredita que serão necessários empregos e principalmente oportunidades de carreira para convencer a força de trabalho da Bulgária a regressar a uma das 600 aldeias do país que ficaram sem população.