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"Sea Watch 3" ao largo de Lampedusa: habitantes e turistas atentos

Veleiro com turistas a navegar ao largo de Lampedusa não muito longe do barco de socorro a migrantes
Veleiro com turistas a navegar ao largo de Lampedusa não muito longe do barco de socorro a migrantes -
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REUTERS/Guglielmo Mangiapane
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O turismo ainda não se ressente da vaga de migrantes oriundos de África que tem vindo a acercar-se da ilha italiana de Lampedusa, localizada a meio caminho entre a Líbia, Malta e a congénere Sicília, mas os residentes receiam que a situação se altere.

Após vários dias de espera ao largo de Lampedusa, o barco de bandeira holandesa "Sea Watch 3" mantinha-se esta sexta-feira bloqueado pelas autoridades italianas a poucas milhas, impedido de entrar no porto italiano e desembarcar os cerca de 40 migrantes resgatados a 12 de junho de uma embarcação em apuros ainda em águas líbias.

"De momento, ainda não se sente tensão" na ilha, disse à Euronews uma habitante de Lampedusa, garantindo que o trabalho prossegue "tranquilamente com o turismo".

"A longo prazo isto pode no entanto vir a comprometer alguns de nós. O motivo pelo qual o Liga ganhou as eleições em Lampedusa também tem a ver com isto", acrescentou a residente, referindo-se ao partido nacionalista de Matteo Salvini, anteriormente conhecido como Liga Norte e que agora faz parte da coligação no Governo.

Os turistas não parecem igualmente preocupados com a proximidade de mais umas dezenas de migrantes, deslocam-se até ao litoral da ilha para observarem de longe o "Sea Watch 3" enquanto vão tirando fotos no monumento "Porta da Europa", de onde conseguem ver o barco ao largo.

Alguns turistas sentem empatia pelos migrantes, mas há quem defenda que a solução não está em Itália, como Giuseppe, um turista originário de Roma: "Não sinto o peso desta situação. Esta pobre gente precisa de ser ajudada, mas não aqui, isso é certo. Nós devíamos estar a ajuda-los do lado de lá, onde eles vivem. Não aqui."

O presidente da Câmara de Lampedusa deixou de criticar o alegado abandono pelas autoridades da ilha aos migrantes e assume-se agora porta-voz do pedido para uma solução mais abrangente.

"O Problema da migração precisa de ser estudado e debatido com todos parceiros europeus em conjunto. Todos precisamos de perceber o que falta fazer para parar esta vaga de barcos a chegar aqui, orientados por pessoas sem consciência, que recebem o dinheiro dos migrantes e mesmo assim os deixam praticamente para morrer", defende o autarca Salvatore Martello.

A enviada especial da Euronews a Lampedusa conta-nos que "os habitantes da ilha pensam que o problema da migração afasta as autoridades locais dos problemas deles e das questões mais locais".

"Foi por isso que muitos dos eleitores residentes preferiram votar no Liga, o vencedor aqui das eleições", conclui Giorgia Orlandi, na ilha onde "Sea Watch 3" espera vir a ser autorizador a desembarcar os migrantes que mantém a bordo, entre eles três menores.