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Famílias das vítimas de Franco aguardam por justiça

Famílias das vítimas de Franco aguardam por justiça
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Foi através de um livro que Carmen Heras soube da perda de um familiar. Ao ler a história sobre os crimes cometidos na província de Soria, em Espanha, durante o regime franquista, percebeu que um primo do lado da mãe, Adolfo Morales, era uma das vítimas.

"Ele era um membro das Juventudes Socialistas. Tinha 26 anos quando o detiveram e levaram para a prisão de Almazán. Um dia depois foi levado com um companheiro para La Riba de Escalote e foram fuzilados", conta Carmen.

Estima-se que mais de 100 mil pessoas tenham desaparecido durante o franquismo. O ministério da Justiça crê que os restos mortais de apenas 25 mil possam ser recuperados. Apesar de já terem sido abertas algumas valas comuns, muito trabalho permanece por fazer.

Muitas das sepulturas cavadas pelo regime ainda não sofreram qualquer intervenção. Mas os mapas que existem também não são atualizados desde 2011, quando deixou de haver fundos para a Lei da Memória Histórica.

A associação "Memória e Dignidade" tenta cobrir essa lacuna. Vencedora de um prémio nacional de direitos humanos, foi a organização que alertou Carmen para a possível descoberta dos restos mortais de Adolfo.

"Quando alguém chega à associação, geralmente tem uma ideia clara de que tem um familiar desparecido ou assassinado e nós ativamos um protocolo que implica muitas pessoas e muito trabalho, normalmente anos, e que inclui pesquisa de arquivos, pedidos de autorizações, ir aos locais, falar com as pessoas, tentar encontrar o lugar das sepulturas e todo o processo de prospeção e exumaçâo", explica Iván Aparicio, presidente da associação.

Carmen aguarda pelos resultados aos testes de ADN para confirmar se os restos mortais pertencem ao primo. O sepulcro de Adolfo foi um dos primeiros a ser aberto desde o decreto para a transladação de Franco

Os dois sepulcros onde Adolfo e outros três homens foram encontrados foram os primeiros a ser abertos desde que o governo espanhol decretou a exumação e transladação de Franco para um cemitério municipal em Madrid.

Carmen Heras diz que fica emocionada "ao pensar em recuperar um familiar, que pode ser levado para um local digno", mas que, por outro lado, "há um pensamento mais profundo de tristeza e de raiva por haver ainda muitos corpos nesta situação, no país".

As famílias procuram mais que reaver corpos, querem justiça. Muitas das vítimas de Franco, hoje enterradas, foram julgadas pelo regime e no, sistema, permanecem delinquentes. Familiares e amigos aguardam por ver a memória reparada.

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