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Cíntia Gil, diretora do DocLisboa: "Nenhum festival é apolítico"

O DocLisboa 2019 incluiu um tributo póstumo à cineasta libanesa Jocelyne Saab.
O DocLisboa 2019 incluiu um tributo póstumo à cineasta libanesa Jocelyne Saab.
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Pelos ecrãs do DocLisboa 2019 passaram mais de 300 filmes de 48 países. Nesta edição, a última dirigida por Cíntia Gil, o grande vencedor veio da Tailândia.

“Santikhiri Sonata”, galardoado com o prémio da competição internacional, fala sobre um conflito que dura há mais de 30 anos entre duas comunidades no norte do país.

Thunska Pansittivorakul, autor do filme, contou à Euronews como conseguiu realizar esta obra em condições adversas: "Foi um processo difícil, porque as pessoas não podiam dizer aquilo que queríamos que dissessem. Por isso encenámos um pequeno filme para elas, assim, poderem dizer as coisas importantes. De outra forma, poderiam ir presas."

Este foi um dos muitos filmes com uma mensagem política a passar no festival. O DocLisboa quis também marcar uma posição face ao governo de Bolsonaro ao exibir filmes como “A nossa bandeira nunca será vermelha”, de Pablo López Guelli, ou “Chico, artista brasileiro”, de Miguel Faria Júnior, que o executivo brasileiro impediu de passar num festival no Uruguai.

Para a diretora do festival, Cíntia Gil, este marcar de posição surge como algo natural: “Nenhum festival artístico pode não ser político, porque a política faz parte da arte. Toda a arte é política, toda a escolha de relação artística, criativa e imaginativa com o real é uma escolha política. Há duas maneiras de lidar com isto: ou não falamos no assunto e fazemos de conta que somos neutros, quando sabemos bem que isso não existe, ou assumimos isso e fazemos disso uma matéria de trabalho, partilhamos com o nosso público e falamos disso abertamente. Preferimos essa via”, explicou.

“Viveiro”, de Pedro Filipe Marques, venceu o prémio principal da competição portuguesa.

O filme é inteiramente passado dentro de um campo de futebol numa aldeia do norte de Portugal e retrata o dia-a-dia dos funcionários do clube local e das crianças que vêm aqui dar os primeiros pontapés na bola.

“Estamos lá, passamos tempo com eles e captamos várias horas dos seus dias. As coisas mais banais, desde os silêncios às conversas que têm, quando chegam, quando se vão embora… Pequenas coisas. No fim, temos todo o material e a partir daí construímos o filme”, contou o realizador à Euronews.

Além das competições nacional e internacional, este DocLisboa foi também muito feito de ciclos. Por aqui passou um ciclo sobre a vida de músicos (Heart Beat), uma retrospectiva do cinema documental da Alemanha de Leste ou ainda uma homenagem à realizadora libanesa recentemente falecida Jocelyne Saab, autora de vários filmes sobre a situação do Médio Oriente.

/ Festa TECHNOBOSS _ 📸 Gonçalo Castelo Soares

Publiée par doclisboa sur Dimanche 27 octobre 2019

Apoio à produção desta reportagem:

João Tavares, Gonçalo Borges e Diana Matias – Imagem
Agradecimento: Cíntia Gil, Teresa Vieira

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