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Guarda Revolucionária ameaça intervir contra protestos antigoverno

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Polícia antimotim tenta dispersar o bloqueio de protesto numa estrada de Teerão
Polícia antimotim tenta dispersar o bloqueio de protesto numa estrada de Teerão   -   Direitos de autor  Nazanin Tabatabaee/WANA
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A Guarda Revolucionária do Irão ameaçou com uma "ação decisiva" se os protestos mais violentos contra o aumento do preço da gasolina não terminarem, noticiou a agência estatal IRNA.

O governo iraniano, que acusa os Estados Unidos de estarem a apoiar a rebeldia no país, insiste na necessidade de aumentar o preço dos combustíveis, numa decisão reconfirmada este domingo, como nos relatou o correspondente da Euronews em Teerão.

"A única janela de esperança era o Parlamento vetar a decisão. Mas, de facto, no domingo, durante a reunião à porta fechada, eles também apoiaram a decisão. Em resultado, três ou quatro deputados demitiram-se devido à preocupação de o Parlamento ser deixado de fora da decisão. Basicamente, podemos dizer que a decisão está tomada e não vai haver ser alterada", conta-nos Hamidreza Homayounifar.

Numa comunicação emitida este domingo pela televisão estatal, o Presidente Hassan Rouhani apelou à calma no país, admitiu o direito do povo de protestar, mas não o de provocar desacatos e de colocar em perigo os cidadãos.
"As pessoas podem protestar. Podem inclusive criticar o governo, de forma dura até, e nós aceitamos isso. Não há qualquer problema com o que dizem. Não podemos é permitir que se instale a insegurança no país", avisou Rouhani.

Pressionado pelas sanções aplicadas este ano pelos Estados Unidos, o governo iraniano anunciou sexta-feira um aumento do preço da gasolina com o objetivo de reunir mais de 2,3 mil milhões de euros.

O executivo alegou ter destinado parte dessa receita extra para ajudar cerca de 18 milhões de pessoas carenciadas, com a situação agravada pela decisão americana após promessas de melhorias em Teerão na sequência do acordo nuclear assinado em 2015 com um grupo de diversas potências estrangeiras conhecido como P5+1.

Muitos iranianos entenderam a decisão de sexta-feira como um regresso à austeridade e os protestos começaram horas depois do anúncio, tendo prosseguido pelo fim de semana.

Houve vários bloqueios de estrada, ataques contra edifícios públicos e bens privados, com pedidos de demissão de parte da elite governativa no Irão. Pelo menos uma pessoa morreu.