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Agricultura resistente às alterações climáticas

Agricultura resistente às alterações climáticas
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Os Emirados Árabes Unidos procuram soluções inovadoras para produzir alimentos no contexto das alterações climáticas.

As mudanças climáticas aceleram os processos de erosão e salinização das terras cultiváveis, o que põe em causa a segurança alimentar das populações em todo o mundo. A euronews falou com a ministra da Segurança Alimentar dos Emirados Árabes Unidos sobre o futuro da agricultura, à margem do Global Forum on innovations for marginal environments, que decorreu a 20 e 21 de novembro de 2019, no Dubai.

A segurança alimentar em climas desérticos

Os Emirados Árabes Unidos procuram soluções inovadoras para produzir alimentos em climas desérticos onde o rendimento agrícola é mais fraco. "A ideia é permitir que os cidadãos de um país tenham acesso a alimentos seguros, em quantidade suficiente, nutritivos e acessíveis. É o objetivo das tecnologias que estamos a testar no nosso ambiente hostil e que queremos partilhar, para ajudar os outros. Temos sol, mar e areia. Se pudermos cultivar alimentos com esses três elementos, que são abundantes na nossa região, teremos também uma solução para o mundo inteiro", disse à euronews Mariam Bint Mohammed Almheiri, ministra da Segurança Alimentar dos Emirados Árabes Unidos.

As culturas mais resilientes

Os cientistas do Centro Internacional para Agricultura Biossalina (CIAB), no Dubai estudam as propriedades de várias plantas em busca de culturas resilientes que permitam aumentar o rendimento agrícola em condições adversas. "Somos uma organização internacional sem fins lucrativos. Fornecemos tecnologias e soluções aos países de baixo rendimento. Temos que reduzir os custos para que os pequenos agricultores nesses países consigam pagar essas tecnologias", afirmou Ismahane Elouafi, diretora-geral do CIAB.

Uma das soluções propostas pelos cientistas passa por imitar os ecossistemas naturais, a um custo reduzido. "Aqui temos um sistema agrícola que combina agricultura e aquicultura. Estamos a estudar a possibilidade de fornecer às comunidades sistemas densos de nutrientes resilientes, em termos climáticos. Temos o peixe, que fornece proteínas de qualidade, temos vegetais, e temos plantas altamente tolerantes ao sal que podem ter vários usos", explicou Dionysia Angeliki, agrónoma do CIAB.

Os drones aplicados à investigação agrícola

A investigação do Centro Internacional para Agricultura Biossalina passa também pelo uso de drones. "Podemos avaliar as características do solo, o declive, a topografia para entender o sistema de drenagem, o sistema de irrigação. Podemos observar características muito interessantes ao nível da vegetação e do solo, com uma precisão de 2 centímetros. Podemos observar cada semente", explicou Ali Elbatty, cientista do CIAB.

A chave para ajudar os agricultores em regiões áridas é encontrar culturas com elevado rendimento em ambientes salgados, quentes e secos. "Existem cerca de 400 mil espécies de plantas na Terra, das quais 30 mil são agradáveis ao paladar. Mas, atualmente, o nosso sistema alimentar integra apenas 150 culturas. A ideia é recolher essas sementes, examiná-las para ver se podem ser usadas como alimento. Inicialmente, a ideia era estudar o clima do deserto, mas, com o aquecimento global e as mudanças climáticas, há cada vez mais ambientes desse tipo", considerou Seta Tutundijan, diretora do Departamento de Programas do Centro Internacional para a Agricultura Biossalina.

O potencial da quinoa e dos espargos do mar

Os cientistas do ICAB consideram que a quinoa é uma das plantas com maior potencial de rendimento que vale a pena cultivar em climas adversos. "A quinoa era descrita pelos maias como a cultura milagrosa. Introduzimos a quinoa em 10 países, facilmente, no Iêmen, na Jordânia, no Egito, em Marrocos, na Tunísia e em muitos outros países", contou Ismahane Elouafi, diretora-geral do CIAB. "A quinoa vem da América Latina. Mas tem propriedades muito especiais. Suporta níveis elevados de salinidade e pode suportar a seca. Precisa de cerca de metade da água necessária para o trigo e para a cevada e é muito nutritiva", acrescentou Seta Tutundijan.

A salicórnia ou espargos do mar, uma planta que pode ser irrigada com água do mar, é outra das espécies cujas propriedades estão a ser estudadas. "A salicórnia é uma planta fascinante. Pode crescer em ambientes desérticos e pode ser irrigada com água do mar exclusivamente. Estão a ser feitos estudos sobre o potencial das sementes de salicórnia para o fabrico de biocombustível", referiu Dionísia Angeliki Lyra.

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