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Covid-19: Angola estima perdas de 920 milhões de euros nos transportes

Covid-19: Produção de viseiras com uma impressora 3D em Angola
Covid-19: Produção de viseiras com uma impressora 3D em Angola   -   Direitos de autor  AMPE ROGÉRIO/ 2020 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
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O Ministério dos Transportes angolano estima que o setor regista perdas de receitas que ascendem aos mil milhões de dólares (920 milhões de euros), devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus.

A situação foi relatada pelo secretário de Estado dos Transportes, Carlos Fernandes Borges, no final de um encontro que a tutela manteve com as empresas, associações do setor e a banca comercial. Segundo o governante, as estimativas projetadas assinalam perdas de mais de 1.000 milhões de dólares, observando que os cálculos tiveram como bases "variáveis e pressupostos que são difíceis de fixar devido a incertezas".

"O cálculo e estimativa de receitas e perdas depende de quanto tempo isto irá durar, ninguém sabe, depende qual será a taxa de recuperação", admite Carlos Fernandes Borges.

Num exercício que considerou conservador, o secretário de Estado adiantou que as estimativas apontam para uma recuperação, nos próximos seis ou nove meses, de "receitas que podem ascender aos 40% ou 50% do total de receitas até dezembro".

"Portanto, é uma perda muito forte que temos de encontrar alternativas e soluções", frisou.

O impacto económico da pandemia da covid-19 nas empresas do setor dos transportes esteve na base do encontro que decorreu na capital angolana, com vista a encontrar soluções para garantir o equilíbrio das empresas.

“Estamos muito centrados em identificar soluções, elas passam por identificar mecanismos de apoio à tesouraria que possam aliviar as empresas dessa baixa de receitas", realçou Carlos Fernandes Borges.

Para o apoio financeiro ao setor, público e privado, o Ministério dos Transportes estimou que, nos "cálculos preliminares" já efetuados, as empresas tenham necessidade de mais de 200 milhões de dólares (184 milhões de euros).

"Medidas sérias são precisas para se inverter a situação"
António Candeias
Associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola

"É um número preliminar, mas tem a ver com um trabalho que já foi feito e o que nós queremos é que depois se faça a ponte com o setor bancário, daí que convidámos a banca comercial", explicou.

Um volume de investimentos de 100 milhões de dólares (92 milhões de euros), sobretudo para os privados, faz parte das estimativas do órgão ministerial, porque é um setor "em que há muita informalidade".

"Vimos aqui uma oportunidade de olhar para o setor rodoviário e perante esta situação tentarmos formalizar uma parte significativa desta atividade", rematou Carlos Fernandes Borges.

Operadores de transportes de Angola pedem “medidas sérias” para atenuar impactos

Para os operadores dos transportes, algumas medidas de alívio económico "não são viáveis".

Segundo António Candeias, da Associação de Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola, um dos grandes problemas que as empresas têm neste momento é de tesouraria, referindo que "medidas sérias são precisas para se inverter a situação".

"Tem que haver medidas sérias e de impacto no sentido de proteger as empresas a nível de capacidade de tesouraria, sob pena de assistirmos um conjunto de encerramento de empresas e despedimentos massivos", disse.

Angola cumpre hoje o décimo dia do segundo período de estado de emergência, que decorre até 25 de abril, com vista a conter a propagação da covid-19.

O país regista já 24 casos positivos de infeção pelo novo coronavírus, nomeadamente 16 casos ativos, seis recuperados e dois óbitos.

Limitação na circulação de pessoas e viaturas, mercados com horários específicos para comercialização de bens alimentares e transportes públicos com obrigação de carregarem apenas um terço da sua capacidade de lotação estão entre as medidas do estado de exceção temporária.

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